A evolução das linhas de montagem e produção

A evolução das linhas de montagem e produção

Hoje repletas de tecnologias, robôs e muitas esteiras, as primeiras linhas de montagem foram idealizadas nas Fábricas da Ford em 1908. Ford já havia construído outros veículos de forma artesanal desde 1896, quando trabalhava como engenheiro para a empresa de componentes elétricos de Thomas Edison (sim, o inventor da lâmpada!).

Em 1908 Ford idealizou a linha de montagem, que baratearia custos de produção e produziria os veículos de maneira muito mais ágil. De fato, a ideia deu certo e revolucionou as fábricas do mundo todo no último século.

Em 1910 a produção de um modelo Ford T levava apenas 93 minutos. O preço era muito abaixo de outros veículos comercializados na época: um modelo de 4 lugares era vendido em 1909 por US $850 (equivalente a US $20 700 hoje), enquanto outros veículos eram vendidos entre 2 e 3 mil dólares, algo em torno de 50 a 70 mil dólares hoje em dia. Em 1913 o preço caiu para US $550 e em 1915 para US $440, equivalentes a menos de 10 mil dólares hoje. Em 1914, um operário da linha de montagem do próprio Ford T conseguia comprar um destes carros com o salário de 4 meses.

linha de montagem do ford tCom esta inovação nas linhas de montagem, onde os produtos moviam-se de um funcionário ao outro, era preciso pensar em questões de segurança. Ford tinha regras de segurança bem estritas, limitando o espaço por onde os funcionários podiam se mover nas fábricas. Isto reduziu drasticamente os acidentes de trabalho. O sucesso da linha de montagem de Ford, associando bons salários com alta eficiência de produção foi logo imitado por várias indústrias.

Hoje as fábricas são muito mais modernas do que eram no início do século passado. Computadores controlam boa parte do processo e muitos robôs interagem com humanos ou mesmo fazem etapas da produção de maneira autônoma.

Um exemplo recente desta tendência é a Foxconn, empresa que fabrica muitos dos produtos da Apple (como iPhone, iPad, iPod) e que se instalará no Brasil para produzir alguns destes produtos em breve. A empresa emprega 1 milhão e 200 mil pessoas e tem atualmente em torno de 10 mil robôs. Na última semana, a empresa declarou que substituirá parte de seus empregados por 1 milhão de robôs nos próximos 3 anos. Os robôs seriam encarregados de tarefas simples e repetitivas tais como soldagem, passar spray e montar os produtos. Ao contrário das antigas fábricas da Ford, algumas fábricas da Foxconn tiveram problemas com baixas condições de trabalho e alguns suicídios.

Um dos robôs que está cotado para ser “contratado” pela Foxconn é o Frida, produzido pela ABB. Você confere um vídeo sobre o Frida abaixo:

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • Carlos

    Leiam o livro “Fim dos Empregos” de Jeremy Rifkin, Livro com primeira publicação a mais de 20 anos atrás. já abordava esse assunto a partir da robotização automotiva. O que mais me chamou a atenção na afirmação de Jeremy é que ele afirma “pra quem estiver preparado sempre vai existir mercado”.

  • "Homem Primata,Capitalismo selvagem" a música da banda Titãs consegue descrever esse fenômeno. Nos tornamos insensíveis ao "outro", qual o problema se esse 1 milhão de pessoas se tornarem economicomicamente inativas?

    Do outro lado do mundo tem crescimento econômico e em qualquer lugar desse mundo aparece um doido que vende a mãe para comprar um iPad !

    A globalização ajuda esses "empresários" , enquanto isso a riqueza do mundo continua na mão de apenas 4 ou 5% da população mundial, a fome reina absoluta em alguns cantos.Como estamos hoje, a música explica:

    " Eu me perdi na selva de pedra,eu me perdi,eu me perdi…"

    Estamos todos perdidos!

  • Thiago Cordeiro

    Interessante os pontos de vista abordado tanto pelo Marcos Aurélio quanto pelo Leandro, acho que toda esta revolução tecnológica vai mudar o perfil profissional da população, como já esta mudando, desde a revolução industrial o mundo souber se adequar, o problema é que essa revolução atual acontece muito mais rápido do que a educação evolui (como mencionou o Marcos Aurélio) um computador por exemplo, em dois anos está defasado, enquanto que a educação, se tomadas devidas providencias hoje, demorará uns 30 ou 40 anos para se adequar ao nível tecnológico atual, o fato é, no brasil, um grupo pequeno de adolescentes estão dentro de uma universidade, a necessidade das empresas de pessoas com conhecimento técnico é muito grande, para se ter uma ideia, um estudante de um curso de ciências da computação sai da universidade defasado e essa necessidade de mão de obra, já é um reflexo do novo momento industrial, em contrapartida, um pedreiro ganha 3, 4 ou 5x mais do que um acadêmico ou recém formado em logística, a ainda assim, há necessidade desse tipo de profissional, na minha opinião, as pessoas não estão preparadas profissionalmente para desenvolver tecnologia como não estão para construir uma casa, e isso tudo acho que é cultural, a falta de dedicação, de entrega e de vontade (No Brasil, não conheço muito bem a realidade internacional) proporciona essas necessidades. De qualquer maneira, investir em educação é uma das primeiras preocupações, acho que a ideia de antigamente (não é da minha época), em fazer o Ensino Médio voltado a uma área técnica seria um passo importante, moldando mais cedo o perfil profissional das pessoas.

  • Flor de Lis

    SOU A FAVOR DO PROGRESSO ,MAS, ACHO QUE ESSE PROGRESSO

    MUITAS VEZES VAI PARA UM LADO ERRADO.

    "CONTRATAR"ROBÔS!!?? ISSO SERIA UMA CAOS PORQUE VOCÊ PERDER SEU EMPREGO PARA UMA MÁQUINA?

    VOCÊ OLHANDO POR UM LADO "HA É A EVOLUÇÃO"

    MAS POR OUTRO LADO ESTA DEIXANDO MILHARES DE PESSOAS DESEMPREGADAS TEMOS QUE REVER ATÉ QUE PONTO VAI ESTA TECNOLOGIA E PROGRESSO? SE ÁS PESSOAS NÃO TRABALHAM NÃO TEM COMO CONSUMIR O PRODUTO NÃO TEM DINHEIRO

    TEMOS QUE REVER E INTEGRAR TECNOLOGIA DESENVOLVIMENTO E TRABALHO PARA TODOS.

    • Bons comentários também sou a favor do desenvolmimento tenho a certeza que poderiamos estar mais avançados neste termos, mas a sociedade deveria desenvolver da mesma forma não só as indústrias se tivessemos um desenvolvimento como por igual teriamos serviços de qialidade como produtos de qualidade para todos, mas o doutrina de desiqualdade é como um tradição sempre tem que ter…

  • saulo

    Espero que nos proximos anos os investimentos esperados na parte logistica sejam feitos e não fique apenas concentrado na produção em massa.

    A tecnologia ajuda muito a sociedade no que diz respeito a inovação dos produtos, porém ela vem diminuindo o espaço de muitos trabalhadores na industria.

    Será onde isso pode chegar?

    Ótimo comentario feito pelo colega acima

  • Marcos Auréli

    Muito interessante ao mesmo tempo em que é preocupante. O ser humano precisa ter um trabalho para ter receita e consumir, as empresas necessitam de mão-de-obra mais precisa, contínua e eficaz para competir. No futuro, quem consumirá? Eis o dilema.

    Não sou contra o progresso desde que ele se sustente na sua razão maior: o ser humano. No caso, o cliente, o consumidor. A Frida não vai usar tênis, roupas, computadores ou dirigir carros criados por outros robôs. O comércio é um grande circuito com vários componentes interligados. Acho isso um ponto de desequilíbrio com problemas economicamente amargos no futuro. Paradoxo ou não, só o futuro responderá.

    • Marcos, ao mesmo tempo que as linhas de produção possibilitaram um expressivo aumento da capacidade produtiva e da eficiência das fábricas, elas também tornaram os produtos acessíveis às massas.
      Eu vejo o problema por outro ângulo: o tipo de trabalho está mudando. Hoje quem foi treinado pra apertar parafusos está sem emprego. Mas imaginemos quantos empregos não foram gerados para a criação da Frida. A diferença é que são pessoas muito mais qualificadas, e por isso as fábricas que contratarem os robôs precisarão de mão-de-obra qualificada para dar assistência, gerir, coordenar e programar estas máquinas.
      Assim, vejo que temos que continuar nos especializando, estudando e não parar nunca. Na minha opinião, assim caminha a humanidade.

      • Marcos Auréli

        Leandro, concordo plenamente com você. Nós expomos o mesmo problema em ângulos diferentes, sendo que a situação é a mesma. Você viu pelo aumento da produção e da acessibilidade e eu pelo lado do desemprego de consumidores com a falta de renda para gozar dessa acessibilidade. O problema é que países inteiros foram e são treinados para apertar parafusos. Claro, não significa que outros devam seguir esse caminho. O mundo tem que evoluir. Porém, para cada técnico que a Frida empregou, desempregará um milhão de operários que não se qualificaram mas são consumidores que sustentam uma parte do circuito do vasto mercado.

        Temo que a economia mundial não esteja preparada para esse avanço que a robótica nos direciona para os próximos dois séculos. Como disse, não sou contra o progresso. No entanto, essa rapidez tecnológica não é a mesma da educação, qualificação e economia. Falta sinergia. E isso gera desequilíbrio. Será que esses milhares de funcionários da Apple vão conseguir uma melhor colocação no mercado ou consumirão como antes? O mundo precisa se reinventar também em outras áreas.

        Também não quero dizer que algo que está a 80 km/h deva parar para esperar quem está a 20. A humanidade realmente não caminha, nem deve caminhar assim. Mas que no futuro isso será um grande problema… Isso será. E não foi porque assisti ao Exterminador do Futuro, não. Rsrsrs…

        • Leandro Boarim

          Na verdade essa conta não vai fechar. Com a distribuição de renda cada vez mais em posse de uma minoria, não haverá consumo… o cara vai encher o toba de dinheiro, e depois não terá pra quem vender!