Brasil melhora em ranking de desempenho logístico

Brasil subiu 20 posições no ranking de desempenho logístico do Banco Mundial, mas ainda há muito o que melhorar.

Foi publicado o novo relatório do Banco Mundial contendo os índices de desempenho logísticos dos países. Em comparação com o relatório anterior, de 2007, nesta vez o Brasil teve um significativo salto de qualidade, ganhando 20 posições e sendo o líder da América Latina. Conheça detalhes nos próximos parágrafos.

O Brasil encontra-se em 41º no ranking composto por 155 países, liderados pela Alemanha. É importante destacar que neste relatório o Brasil subiu 20 posições, sendo agora o líder da América Latina, sendo seguido de perto por Argentina, Chile e México (48º, 49º e 50º, respectivamente). Na nota de zero a 5, o Brasil fica com 3,20, ou quase 30% pior que o líder, que obteve 4,11.

O comércio exterior no ambiente globalizado em que vivemos é fator primordial para o bom desempenho das economias locais, e obter boas notas nos quesitos avaliados pelo Banco Mundial reflete um comprometimento dos governos e empresas que atuam no setor.

O desempenho logístico depende mais do que custos e tempo, mas também confiabilidade e previsibilidade das cadeias de suprimentos. Um exemplo disto é que em cadeias sem estes dois elementos, há necessidade de maiores estoques de segurança para evitar rupturas das operações, aumentando os custos globais.

Alguns elementos destacados no relatório:

– com exceção dos países de alta renda, a existência de infra-estrutura logística de qualidade é o principal freio no desempenho. No caso do Brasil, utilizamos infra-estrutura de informação, mas pecamos em nossa infra-estrutura física e em nosso sistema ferroviário muito deficiente.

– tratamento eficiente da liberação de comércio exterior nas fronteiras é cada vez mais importantes, e foi identificado que algumas agências têm burocracias que não agregam valor, e pior, em alguns casos são papéis redundantes.

O ranking se baseia em seis áreas principais que afetam o desempenho logístico:

– eficiência do processo de liberação alfandegário;

– qualidade da infra-estrutura de transporte;

– facilidade de encontrar fretes com preços competitivos;

– qualidade e competência dos serviços logísticos;

– existência do rastreamento das mercadorias;

– frequência na qual as encomendas chegam ao destino dentro do prazo esperado/acordado.

O Brasil encontra-se no pelotão “médio-alto”, no mesmo nível de nossos colegas do Mercosul Argentina e Chile, e onde também encontram-se países como África do Sul, Turquia e Lituânia. Importante notar que estamos a frente de concorrentes globais como China e Índia, que encontram-se no pelotão “médio-baixo” junto com países como Paraguai, Equador e Honduras.

Confira abaixo alguns indicadores específicos do Brasil identificados no relatório divulgado pelo Banco Mundial:

Nossa melhor característica foi com relação ao cumprimento de prazos, em que ficamos na 20ª posição mundial.

Seguindo encontramos qualidade e competência logística, na 34ª posição no mundo.

Classificados em 36º, ficou nossa habilidade de rastrear as mercadorias durante a entrega. Na mesma região (posicionado em 37º) nossa infra-estrutura.

Por fim, muito mal colocado, em um vergonhoso 82º  lugar, nosso serviço alfandegário e aduaneiro.

Outras informações relevantes mostram que 89% das entregas brasileiras atendem os critérios de qualidade exigidos; nossas importações exigem em média 4,72 documentos e passam por 4,21 órgãos diferentes, enquanto as exportações precisam de 4 documentos (em média) de 3,5 órgãos diferentes (os números não são inteiros pois variam de acordo com o produto). Ainda que 11% das nossas importações passam por inspeção física, que leva mais de 5 dias para ter o produto liberado (quando não há inspeção física a liberação ocorre em média em menos de 2 dias).

Finalmente, é importante destacar, assim como também destaca o Banco Mundial, que o bom desempenho logístico tem um efeito em cascata, pois gera resultados positivos em outros setores. Um exemplo disso: entre países com o mesmo rendimento per capta, aqueles que apresentam melhores desempenhos logísticos alcançam crescimento suplementar de 1% no PIB e de 2% no comércio internacional.

Não posso deixar de citar também como referências para os leitores de Portugal do site Logística Descomplicada uma visão do mesmo relatório feito pelo colega português Jorge, que pode ser encontrada Geoscópio ou no Exame Expresso.

Com dados do Relatório de desempenho logístico elaborado pelo Banco Mundial, que pode ser acessados na íntegra aqui.
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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • O Brasil devia se preocupar com coisa mais fúteis e precisas. ' Lei da palmada ' ? Vergonha nacional ..