Brasil oferece os maiores juros reais do mundo

juros SELICNão só questões infraestruturais e logísticas limitam o desenvolvimento no Brasil. Nesta quarta-feira o Banco Central aumentou os juros básicos em 0,75 pontos, levando o Brasil novamente ao lugar mais alto no ranking de juros reais. Este é um primeiro lugar que não devemos nos orgulhar, pois juros altos limitam o consumo, o crescimento e os investimentos.

O aumento na taxa vem depois de 19 meses de quedas e estabilidade (desta vez subiu de 8,75% para 9,5%). A mudança motivou reações de diversos setores. A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgou nota em que critica o aumento dizendo que o Banco Central é refém de certos setores, e sua “competência e autonomia” podem ser questionadas. Paulo Skaf, presidente da entidade, disse que “não há necessidade de subir a taxa de juros, pois existe capacidade instalada na indústria para atender à demanda sem que aconteça pressão sobre os preço”. A nota continua dizendo que “a produção, o crescimento e o emprego, mais uma vez, são os perdedores”.

A Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de SP) disse que o aumento de juros é “precipitado e conservador. A decisão do Banco Central de aumentar a taxa Selic para 9,5% ao ano é precipitada, conservadora e freará o consumo interno do país antes mesmo que se possa avaliar os impactos do término dos benefícios fiscais adotados durante o período da crise financeira global. Um novo ciclo de alta nos juros básicos deverá se refletir nos custos dos empréstimos das empresas e das famílias, comprometendo o bom momento do consumo interno.”

Segundo a entidade que representa o comércio, “a política monetária conservadora” tende a ser um forte obstáculo ao objetivo de retomar o consumo doméstico. “Além de encarecer o crédito, que permitiu ao mercado interno passar pela turbulência internacional sem grandes percalços”, afirma Abram Szajman, presidente da Fecomercio.

Como a taxa de juros influencia a economia

Com o aumento na taxa básica pelo BC (a chamada SELIC), os bancos aumentam os juros cobrados dos clientes. Com o crédito mais caro, o mercado tem menos acesso ao dinheiro e consome menos. Com menos consumo, os indústrias não produzem e a economia esfria.

O BC aumenta a taxa, dentre outros motivos, quando acha que as indústrias não tem capacidade para suprir a demanda, o que segundo o presidente da FIESP não é o caso (veja acima). Quando o BC aumenta as taxas como fez agora, ele espera limitar o aumento da inflação (quando há mais consumo do que capacidade, e os preços aumentam).

Com informações do UOL e Globo.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

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