Como criar competências logísticas globais – parte 2

Nesta série de dois artigos você verá o que são e como criar competências logísticas globais para uma cadeia de suprimentos. Se você não leu a 1a parte, confira aqui: Como criar competências logísticas globais – parte 1

Estes dois artigos são adaptações de um trabalho escrito por Aline Regina dos Santos.

Considerando os diferentes níveis de aplicação da logística, uma pesquisa conduzida pelo Fritz Institute sugere o estabelecimento de uma competência logística global, a qual se desenvolve em três etapas, a saber: Nível I – Funcional; Nível II – Integração dos processos internos; e Nível III – Integração interna e externa.

No nível I de competência logística as empresas buscam obter excelência nos processos de distribuição, armazenagem, controle de estoques e administração. Assim, a criação de valor está relacionada prioritariamente a melhorias na eficiência. A figura a seguir sintetiza esta situação:

Neste nível de competência existe uma dificuldade de integração interna, em virtude de barreiras organizacionais e departamentais. Busca-se uma eficiência e desempenho isolados, como menores custos em distribuição, sem contemplar os efeitos nos demais processos.

A evolução deste estágio caminha justamente para a integração dos processos internos, focando em soluções táticas para ganhos em curto prazo. Entre tais soluções está a identificação das trocas compensatórias (trade-offs) de forma a obter não somente eficiência no desempenho das funções logísticas, mas também eficácia. A figura a seguir mostra o nível II de competência logística.

Neste nível, muitas barreiras dentro da organização são removidas, buscando-se melhorias significativas. Assim, a logística é entendida como uma série de fluxos integrados por toda a cadeia de suprimentos, de forma que cada fluxo requer analise das trocas compensatórias pertinentes, bem como um plano de operação. Os ganhos obtidos desenvolvendo um nível II de competência logística situam-se na melhoria dos custos, serviços e flexibilidade. Este é o cenário da indústria em geral.

O nível III de competência logística trata, além da integração interna, da externa, a qual o autor denomina de integração do canal de mercado. Este nível requer que as empresas conectem sua cadeia interna de processo com os fornecedores primários até os consumidores finais. A figura a seguir mostra o nível de competência III:

Neste nível o canal de mercado torna-se uma empresa virtual, com objetivos comuns, sistema, organização, facilidades e gestão compartilhada entre os participantes do canal. O alcance do nível III de competência logística leva a performances claramente superiores as praticadas pela maioria das empresas, chegando a reduzir metade dos custos e duplicar a velocidade de entrega, bem como aumentar em cinco vezes a flexibilidade organizacional em termos de logística.

Ainda, o autor lembra que um pequeno percentual (5%) de empresas que atingem o nível III consegue alcançar o padrão de “classe mundial”. Nestes casos, a organização demonstra competência logística em todos os aspectos da cadeia de suprimentos global.

A configuração dos três níveis de competência, bem como a estimativa de empresas que participam em cada cenário é apresentada na figura a seguir.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).