Como ter uma cadeia de suprimentos a prova de terremotos?

Como ter uma cadeia de suprimentos a prova de terremotos?

Depois do ocorrido com a Toyota como consequência do forte terremoto que abalou o Japão (e muitas empresas ao redor do mundo), a Toyota quer ter uma cadeia de suprimentos a prova de terremotos em até 5 anos.

Para alcançar este objetivo, eles trabalham com três ideias:

a) trabalhar com peças padrão, vindas de diferentes fornecedores;

b) ter mais estoque de peças críticas;

c) cada região deve ser independente na busca por seus fornecedores.

Todas as três opções farão a cadeia de suprimentos ser mais preparada para superar os efeitos de um terremoto.

A primeira permite que a empresa passe a comprar peças de um fornecedor que não tenha sido afetado. A segunda permite que eles trabalhem com seus estoques internos por um periodo. No entanto, isto ainda requer que as redes de transporte sejam restabelecidas de maneira rápida. Além disso, espera-se que estes estoques críticos sejam mantidos em locais a prova de terremotos também – imagine que você tem um estoque de microchips para 6 meses de produção, mas que o teto do armazém cai em cima do seu precioso estoque (ou que eles derretam num possível incêndio). A terceira ideia também vai ajudar (criar regiões independentes) mas pode trazer problemas. Se uma peça é fabricada numa região de baixo risco, e por ser uma peça muito específica deva ser fabricada num único lugar (por razões de custo), então para que insistir que ela seja feita em 5 ou 6 plantas diferentes? Esta iniciativa pode ter mais relação com o gerencimento do risco associado às taxas de câmbio.

Então, todas as ideias certamente valem a pena e elas devem ser aplicadas além da produção automobilística. O desafio de verdade está nos detalhes da implantação – como a empresa decidirá entre comprar o produto A que custa 5% a mais, mas tem um padrão e especificações claros para ser produzido em vários locais, ou o produto B que custa menos mas é mais especializado e só pode ser produzido por um fornecedor, que fica numa região propensa a ter terremotos? Como você decidiria?

Baseado no texto “How to quake proof a supply chain” de Gerard Cachon e Christian Terwiesch, publicado no blog Matching Supply with Demand. Tradução e adaptação feitas por Leandro Callegari Coelho e autorizadas pelos autores exclusivamente para o logística Descomplicada.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • Sirley

    Diante do risco exposto, também comprario o item A. Sem duvida éimportante grantir que o nivel de serviço prestado ao meu cliente não vai sofrer demérito.

  • Com certeza eu compraria o produto A não correria riscos desnecessarios