Custos logísticos: discussão sob uma ótica diferenciada

artigo de autoria de Ana Cristina Faria

A logística, atualmente, é considerada relevante, em muitos segmentos de negócio, por seus custos, pelas oportunidades de otimização dos mesmos e pelos impactos na apuração de valor econômico, que podem resultar em aperfeiçoamento do processo logístico. Este artigo tratou a respeito dos custos logísticos, seus elementos na gestão da logística empresarial, associados aos fatores físicos determinantes de custos, aos macroprocessos existentes (abastecimento, planta e distribuição) e das cadeias logísticas que os compõem. O princípio objetivo foi o de ordenar, de forma diferenciada, a discussão sobre o tema central que vem sendo comentado na literatura de Logística e evidenciar as informações de custos que deveriam ser geradas pela Controladoria no suporte à gestão da Logística Empresarial.

O propósito da estruturação realizada, para ordenar a discussão sobre os elementos de custos logísticos, foi buscar a abrangência na visão desses custos, e não aprofundar / detalhar a discussão sobre cada um deles.

A Logística é uma atividade que tem origem remota. O estrategista militar, muito antes dos executivos tomarem consciência da real dimensão da Logística no meio empresarial, a utilizava para movimentar exércitos, travar batalhas e alcançar vitórias.

Após o período da Segunda Grande Guerra, com a evolução conseguida pela vertente militar e do posterior boom do marketing, foi publicado em 1962 o artigo de Peter Drucker “The Economy´s Dark Continent” citado pela Sociedade Portuguesa de Inovação (2003), em que o autor considerou a Logística como “a face obscura da economia, verdadeiro território por explorar e a última fronteira da gestão”.

Logística é um conceito em constante evolução, atrelado à busca de ganhos de competitividade e níveis de custos reduzidos, em função do desafio global e da necessidade de agir de modo rápido frente às alterações ambientais. Até há pouco tempo era, essencialmente, associada a transporte e armazenagem, passando a ser combinada, também, com outras atividades, tais como: Marketing, Suprimentos e Atendimento ao Cliente. Era uma atividade considerada como função de apoio, não vital ao sucesso dos negócios e, em uma velocidade impressionante, esta percepção vem sendo alterada em direção ao reconhecimento da Logística como elemento estratégico.

Ao longo dos anos, vários estudos foram realizados para determinar a relevância dos custos logísticos, em relação à economia como um todo e às empresas individuais. Em seu 12th Annual State of Logistics, Wilson e Delaney (2003), consultores da Cass Information Systems Inc., que acompanham os custos logísticos americanos desde 1973, apresentam que os custos logísticos americanos caíram de 16,1% do Produto Interno Bruto – PIB, em 1980, para 9,5% em 2001.

Na Gazeta Mercantil Latino Americana (2001), Carlos Schad, Diretor da Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná – ADTP, comentou que, no Brasil, os investimentos em Logística crescem, em média, 20,0% ao ano desde 1996. Conforme revelam estudos realizados pela ADTP – publicados no referido jornal, a Logística movimenta US$ 105 bilhões por ano no Brasil, o que corresponde a cerca de 18,0% do PIB nacional.

Neste artigo, estão sendo chamados de custos logísticos, o que a Teoria da Contabilidade segrega em custos e despesas. Os custos são gastos relacionados aos sacrifícios ocorridos nos processos produtivos e as despesas, gastos incorridos no esforço de obter receitas.

Os custos logísticos, segundo o Institute of Management Accountants – IMA (1992), em um statement sobre o gerenciamento de custos logísticos são “os custos de planejar, implementar e controlar todo o inventário de entrada (inbound), em processo e de saída (outbound), desde o ponto de origem até o ponto de consumo”.

Esta conceituação considera os custos logísticos como aqueles em que a empresa incorre ao longo do fluxo de materiais e bens, dos fornecedores à fabricação (Logística de Abastecimento), nos processos de produção (Logística de Planta) e na entrega ao cliente, incluindo o serviço pós-venda (Logística de Distribuição), buscando a minimização (ou otimização) dos custos envolvidos e, garantindo a melhoria dos níveis de serviço aos clientes.

A tomada de decisões logísticas oferece variadas possibilidades para otimizar os resultados econômicos da empresa. O problema que se coloca, nesse contexto:

A Controladoria, em seu papel na gestão de resultados empresariais, com seus sistemas de custos e contabilidade gerencial, fornece ao tomador de decisões informações em concordância com as suas necessidades, atendendo a seu processo de raciocínio e decisão, no conteúdo, grau de detalhe, periodicidade, enfim, nos atributos que caracterizam uma informação gerencial eficaz?

Assim, o objetivo deste trabalho foi ordenar as informações de custos logísticos relevantes para o processo de gestão da Logística e que deveriam estar sendo geradas pela Controladoria.

Há poucos estudos e discussões sobre custos logísticos, dentro da linha de  encarar-se o processo logístico como um todo, desde o abastecimento até a entrega dos produtos finais aos clientes. Reeve (1998) é um dos poucos autores que se referem ao conceito de custo total de entrega (Total Cost of Delivery), que procuraria rastrear os custos desde o abastecimento até a distribuição aos clientes.

De fato, segundo Faria (2003), questões práticas de identificação e coleta dos dados dos custos logísticos tornam muito difícil associar os custos ao longo das cadeias de abastecimento, produção e distribuição aos produtos entregues para determinar seu custo total. Por outro lado, o mais frequente é a literatura sobre custos logísticos (por sinal, escassa) tratar de segmentos da Logística (distribuição, por exemplo), ou ainda, de determinados elementos ou operações específicas, tais como: transporte aéreo, transporte rodoviário, armazenagem, embalagens e, assim por diante. Desde logo, então, estabelece-se uma ponderável dificuldade para uma discussão ordenada sobre custos logísticos, dentro da linha de interpretação do processo logístico como um todo.

Como abordar tais custos, de modo a considerar sua importância relativa em diferentes tipos de negócios, possibilitar à gestão logística tomar decisões e ações capazes de – via logística integrada – levar aos níveis de serviço desejados ao menor custo total possível, nas mais variadas situações práticas em que se configuram as cadeias logísticas de abastecimento, planta e distribuição?

Na aplicação do conceito de logística Integrada, a solução ótima é aquela que melhor atende à equação nível de serviço ótimo / custo total mínimo.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).