Entendendo os custos logísticos (parte 1)

Entendendo os custos logísticos (parte 1)

Toda atividade empresarial sempre estará voltada à redução dos custos com a melhoria do nível de serviço prestado a seus clientes para a obtenção do lucro. Inverter essa ordem diminui muito as chances de sucesso. Contudo, é a dificuldade para lidar com custos que poderá determinar como será a existência e a permanência de uma organização no mercado: quanto mais a empresa entender acerca de seus custos, mais segurança nos investimentos ela terá. E são os custos logísticos a linha que mais oferece sucessos e fracassos às organizações.

É atribuído ao Brasil um dos custos logísticos mais altos praticados no mundo competitivo. Eles representam 12% do Produto Interno Bruto (PIB). É quase o dobro de países com modelos econômico e geográfico similares. Vejamos como se dá isso analisando a influência de fatores externos e internos:

– Fatores externos: a influência sobre os custos logísticos em grande parte está relacionada aos problemas de infraestrutura que apresentam aeroportos e portos saturados, más condições das rodovias, insuficiência de ferrovias, como também, mão-de-obra desqualificada, insegurança, políticas alfandegárias negativas – citadas em diversos levantamentos – e altas taxas;

– Fatores internos: a influência nesse aspecto diz mais respeito à questão de como cada organização se utilizará da atividade de transporte; mas outras atividades também completam os elementos dos custos logísticos, como o estoque, a armazenagem e algumas relacionadas aos pedidos de compra e venda.

Ambos os fatores contribuem para que os custos logísticos estejam mesmo concentrados no transporte, pois o modal rodoviário é o mais utilizado, mesmo para as maiores distâncias, ao mesmo tempo que é extremamente caro e precário ao ponto de gerar custos imprevisíveis que serão somados aos demais problemas da infraestrutura fazendo com que o país perca competitividade.

Muitas literaturas que abordam custos logísticos concordam em três coisas: são complexos, porém, essencial conhecê-los; facilmente percebidos, porém difíceis contorná-los na prática, e só mensurando cada sequência para administrar seus impactos em sua totalidade.

Classificação dos custos logísticos

São muitos os tipos de custos. Alguns específicos para cada segmento do mercado e outros comumente reconhecidos como uma base para qualquer atividade. Na logística, vários são aplicáveis e separamos alguns para facilitar o entendimento, a começar por aqueles 4 tipos mais conhecidos:

– Custos Diretos – são referentes aos materiais e mão-de-obra direta aplicados na fabricação ou acabamento de produtos ou na prestação de serviços. Matérias-primas e componentes, embalagens e o transporte na distribuição de produtos são exemplos;

– Custos Indiretos – são aqueles não observados diretamente nos produtos e serviços aos quais se estabelecem critérios para rateá-los em centros de custos. Como exemplo, o rastreamento da frota;

– Custos Fixos – são aqueles que não sofrem alterações influenciadas pelo aumento ou diminuição da produção. Despesas com aluguel, com vigilância, com manutenção e com telefonia são exemplos;

– Custos Variáveis – estes sim, estão ligados ao volume produzido e sofrem alterações a depender de situações. Em serviços logísticos, um frete contratado pela cubagem ou peso é um exemplo.

O conhecimento acerca do assunto é de substancial importância para alunos e para profissionais que já defendem seus espaços no Mercado de Trabalho, pois as empresas que não tinham uma ideia clara de quanto as atividades logísticas lhes custavam, mudaram, e mudaram muito! Principalmente após o ano 2000, essas atividades passaram a ser especificamente gerenciadas pelo grau de importância que assumiram num mundo competitivamente veloz e tecnológico.

Por isso, daremos seguimento ao assunto em posts futuros e, em especial, na segunda parte deste, onde explicaremos outros tipos de custos logísticos e situações de decisão como o “trade-off”. Já ouviu falar? Estaremos lhe esperando para conferir. Até lá!

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Foi Coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.