Estudo de caso de exportação com portos secos

Estudo de caso de exportação com portos secos

Nesta série de matérias sobre os portos secos, você verá como eles podem ajudar a logística nacional, diminuindo custos e prazos para importações e exportações. Através de estudos de casos você verá exemplos de utilizações bem sucedidas destes terminais logísticos. Nesta matéria abordamos como os portos secos podem ajudar nos processos de exportação, através do estudo de caso da exportação de chapas de granito.

Por Leandro Callegari Coelho e Carlos Araújo*

Exportação de Chapas de Granito: Necessidade de Movimentação de Produtos Pesados.

O Brasil é um grande exportador de chapas de granito, em especial os estados da Bahia, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O produto possui uma beleza natural que lhe confere status, mas sua fragilidade o obriga a pensar na logística aduaneira com muito cuidado.

No entanto, nem sempre os exportadores possuem os equipamentos adequados para a movimentação e a correta estufagem nos contêineres para exportação.

É nesse momento que o terminal torna-se importante para os exportadores de chapas de granito. Eles produzirão o produto, o colocarão em uma embalagem menos robusta, apenas para fazer o trajeto até o porto seco em um caminhão aberto e preparado para carregar cavaletes.

porto seco ajudando a exportaçãoChegando ao terminal, esses produtos serão colocados em cavaletes especiais, com madeiras certificadas por empresas competentes e de acordo com a norma internacional que rege o assunto. Além disso, as chapas são afixadas adequadamente nesses cavaletes e em seguida serão colocadas dentro dos contêineres, totalmente fechado (Dry Box) ou com o teto lonado (open top).

Em ambos os casos, a fixação desses cavaletes dentro do contêiner vai ditar o sucesso (ou fracasso) da operação.  Não considerando o peso, um contêiner pode receber até oito cavaletes de chapas de granito, sendo quatro na parte traseira do contêiner e quatro na parte frontal.

Após a estufagem da carga no porto seco, o exportador estará apto a proceder com o despacho aduaneiro na exportação. O processo é muito mais simplificado. Depois de desembaraçada, a carga é transferida para o porto (agora molhado) determinado na reserva da carga (booking) e o caminhão segue em Trânsito Aduaneiro.

Trânsito Aduaneiro é o procedimento pelo qual a mercadoria é transferida de um recinto alfandegado com controle aduaneiro e com a suspensão total dos impostos incidentes.

Com os portos superlotados, sem espaços para movimentação e armazenagem, os portos secos tornam-se uma alternativa viável, barata e eficaz para incrementar o comércio exterior e melhorar a competitividade. Desde sua origem, os portos secos atuam de forma eficaz, trazendo economia e aumento de rentabilidade nos negócios internacionais dos mais diversos setores.

Chegando ao porto, a fiscalização local irá conferir os procedimentos de segurança do trânsito (placa da carreta, do caminhão, documentos do motorista, a Declaração de Trânsito) e o lacre afixado pela autoridade aduaneira no porto seco para confirmar que o trajeto foi feito sem que o conteúdo dentro do caminhão fosse violado. Estando tudo certo, o trânsito é concluído e a mercadoria ficará no costado aguardando a chegada do navio e o seu respectivo embarque.

Em média, todo o procedimento logístico, desde a chegada da carga no terminal seco até a conclusão do trânsito no porto levam uns 5 dias, considerando que o maior prazo ficará por conta da estufagem.

* Adaptação de artigo publicado na Revista Today Logistics de fevereiro de 2011 de Leandro Callegari Coelho (Logística Descomplicada) e Carlos Araújo (Comexblog). Confira também as outras partes deste artigo nas matérias relacionadas abaixo.

Gostou dessa matéria? Doe qualquer valor e ajude a manter o Logística Descomplicada gratuito:

Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • Claudomiro Laurindo

    Muito importante a matéria principalmente neste época de crescimento enconômico que nos encontramos. Porém ainda é pouco esta modalidade alfandegária em nosso país. Gostaria que enviassem mais material a respeito.