Faltam engenheiros ou falta formação adequada?

Faltam engenheiros ou falta formação adequada?

“Descobrimos, num histórico de duas décadas, que os nossos engenheiros considerados bons já vieram da faculdade com as unhas sujas de graxa.”

O Brasil retoma sua verve desenvolvimentista e descobre a restrição da mão de obra capacitada. O assunto emociona e aguça discussões dentro e entre os principais protagonistas do tema. Vêm a público sinais de um sincero esforço de indicar causas e soluções. Um país da nossa complexidade merece essa profusão de análises e esforços. Talvez nos falte focar mais o problema, do que defender as instituições através dos seus esforços isoladamente.

engenhariaO Brasil já viveu ciclos de desenvolvimento extraordinários sem que se tenha esbarrado na falta de engenheiros. A economia era muito menor, também era menor a velocidade dos projetos, as exigências do contexto social e, os recursos, proporcionalmente aos fatores citados, eram muito maiores. Os recursos tempo e dinheiro acomodavam equipes maiores, menor produtividade individual. As ferramentas de engenharia e tecnológicas eram mais simples. O número de posições burocráticas também era maior e acomodava diplomados não vocacionados. Distorciam-se indicadores de desemprego de engenheiros e também do número de engenheiros nos projetos.

Nossos jovens técnicos, em geral, saem dos cursos sem a contextualização dos conhecimentos que receberam. Não tiveram chance de se desenvolver na aplicação e na liderança do conhecimento que os capacita. As solicitações de um projeto em equipe, com resultados, medidas de desempenho, orçamentos e exposição a tecnologias e práticas, não são vivenciadas por vastíssima maioria dos cerca de 30 mil diplomados anualmente. As empresas e os projetos já não têm recursos para desenvolver e testar a vocação dos diplomados. Como diz Mauro Simões engenheiro da MAN Latin América no depoimento acima “os engenheiros que se destacam já vêm da faculdade com graxa nas unhas”. Um formado deve chegar ao mercado de trabalho marcado por graxa, cimento, choque elétrico, chip, software, aeromodelo, robôs, biocombustível e outras bagagens.

As competições de engenharia prestam um enorme serviço na formação de engenheiros. São projetos de robôs, veículos elétricos, a gasolina, híbridos, aeromodelos e outros. Nesses trabalhos em equipe vemos ‘feras’ de escolas brasileiras participando aqui e fora do País. Chegarão ao mercado em melhor condição de prestar serviços à sociedade. Destaco um caso de sucesso com abrangência nacional e internacional, as competições estudantis da SAE BRASIL. São centenas de estudantes de engenharia, de dezenas de escolas, de diversas regiões do Brasil e do Exterior, que competem nos projetos do Baja, do AeroDesign e do Fórmula SAE. Tal prática, entretanto, ainda não é sistêmica nas engenharias nem reconhecida formalmente como curricular para a formação de engenheiros.

Para finalizar comento que, igualmente, falta a aplicação de práticas que propiciem identificar a vocação para as áreas técnicas, já no ensino médio e antes dele. Lembre-se que formar um engenheiro é um processo de uns 17 anos de vida estudantil. Para variar estamos atrasados, mas não desesperançados.

Por José Luiz Albertin – Diretor de Educação da SAE BRASIL

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • Gabriel

    logística faz parte do curso de Engenharia de Produção desde que o curso existe no Brasil também.

  • Shlhnr

     REALMENTE  ISTO  acontece  o todo tempo todo não só na area da engeharia MAIS ME TODAS  PARTES  procuras pessoas capacitadas  par trabalhar esta  é  oque se mais  ve  me todos os cantos , na engenharia na  area da saude , na area da educação  emfim todas  estam  com necessitades  de bons  profissionais , eos profissionais  estam  necessitados de  oportunidades  para  por em pratica  o que aprenderam

  • Jandre_andre

    Realmente, isso é evidente à falta da prática aliada com teoria. É o que torna nosso ambiente de hoje.

  • Marcos Beneteli

    Na meu ver falta é tudo,engenheiros como outros profissionais, falta formação adequada, falta fiscalização de instituições que nada ensinam e só cobram, faltam oportunidades, interesse, bom senso e por aí vai.

  • Estehfano

    Não faltam engenheiros, faltam engenheiros de verdade! Conheço vários trabalhando que não engenheiram absolutamente nada, engenheiros civis que sequer fazem 1 projeto civil, engenheiros eletronicos que jamais desenharam um unico e simples circuito eletrônico, e são maioria em nosso país!
    Não falta formação adequada, falta colocar as pessoas certas nas posições certas!! No entanto vemos potenciais bons engenheiros fazendo grandes besteiras na área de logística, porque logística tem muitíssimo pouco a ver com engenharia, e colocar bons engenheiros nesta área ou em outras que nada tem a ver com engenharia, é disperdiçar capital intelectual em dobro – uma porque o cara não está atuando no que sabe, e outra porque está fazendo besteira na área que outro que poderia estar atuando com competência foi preterido… A
    questão é que a logística é ensinada há mais de 20 anos no mundo, e no
    proprio Brasil, na formação de Administração. No Brasil ainda predomina a idéia ultrapassada de que engenharia, direito e medicina contempla todo o universo de conhecimento. Daí se entra numa discussão absurda de ampliar o universo dessas formações, em vez de se compreender que outros profissionais, com outras formações completam um quadro multidisciplinar necessário para um país que vise resultados, em vez de prevalescer a vaidade de profissionais que querem ampliar seus dominios mesmo que isso seja impraticável para um ser humano normal. Nos EUA todos os presidentes tem formação em Government, Administration, Management, e isto não é Engenharia, aqui no Brasil tem um nome há um bom tempo, é Administração. E isto não é um discurso corporativista, mas anti-corporativista. Engenharia é engenharia, logística é um ramo da Administração, tal como cálculo estrutural é um ramo da engenharia civil. A qualidade da educação neste país precisa avançar muito ainda, porque as pessoas não tem ainda nem a capacidade de compreender os “pra quê” dos conhecimentos. Há muita pedância e lero lero especialmente na área dos negocios, do governo e das organizações. E o motivo é este Sres., o dominio de uma elite intelectual limitada e pedante.

    • Flaviosampt

      concordo com vc vivemos em um mundo cheio de poses, e que nem sempre o capacitado tem sua chance na área de origem, infelizmente o Brasil é o pais do improviso o cidadão forma em engenharia civil e vai dirigir uma empresa. 

      • Estehfano

        Gostei dessa definição: “país do improviso”, diz tudo!
        Aproveitar pra comentar que um amigo meu – Engenheiro Naval, daqueles que realmente tem capacidade para projetar um navio, gênio, raro profissional no Brasil, com quem troco muitas idéias, e que comprou essa idéia de que falo de “cada macaco no seu galho” (até porque só macaco que não sabe trepar em árvore que quer ser rei da selva) – outro dia, estava confabulando e questionando entre nós sobre a falácia de que Dilma e Cia. têm um perfil mais técnico… Por que falácia? Porque por exemplo, a Graça Foster, na Petrobras, que perfil técnico ela tem? Ela já foi diretora em quantas empresas privadas? Qual a formação dela? Economista! Economista estuda pra Administrar empresas?? Não! Pois então? O que adianta alguém ser técnico em algo com o qual não está trabalhando? Ele disse: O que adianta colocar o Pelé no Gol e o Tafarel de centro avante?? É o mesmo que colocar dois idiotas no 1 no gol e outro na linha, mas no primeiro caso se está disperdiçando recursos excelentes por pura falta de uma visão de administração nas lideranças principais. E eu completei: Não adianta a Dilma querer botar uma galinha pra dar leite e ficar gritando porque a galinha só vai botar ovo por mais que ela grite. Pessoas erradas no lugar errado é mais prejuízo ainda, porque se dispendeu recursos para a formação das pessoas para depois não transformar em riqueza. Mais uma para a conta do Custo Brasil…

        • Paulo

          A Graça Foster, pelo que li na mídia, é Engª Química.

          • Estehfano

            É… a Dilma que é Economista. Verdade! Graça Foster é engenheira química… ISTO É SER TÉCNICO? É! MAS SE ELA ESTIVESSE TRABALHANDO NO LABORATÓRIO DE UMA REFINARIA DA PETROBRAS!!! Na Presidência da empresa, ela ou uma pessoa com segundo grau completo tem o mesmo preparo TÉCNICO para Dirigir uma Cia. Claro que existe o preparo da experiência, mas experiência sem estudos ensina muita coisa errada, e é pra isto que existe o método cientifico, senão medicina e curandeirismo ainda seriam a mesma coisa.