Inteligência Analítica e Governança Corporativa para Varejo e Distribuição

Inteligência Analítica e Governança Corporativa para Varejo e Distribuição

O varejo vive um período de transição substituindo o modelo de negócio baseado na produção em massa pelo modelo centrado no cliente. Cada vez mais, a capacidade de entregar produtos com maior customização na hora certa, no lugar certo e na frequência adequada, com o menor custo, diferencia os players que continuarão participando do mercado daqueles fadados à estagnação ou extinção.

métodos analíticos de gestãoAmbos os modelos de negócio compartilham, em comum, a necessidade da excelência operacional na cadeia de suprimento como fator de vantagem competitiva perene, pois garante o binômio disponibilidade de produtos no ponto de venda e custo operacional mínimo. A excelência, por sua vez, precisa estar embasada em três pilares: pessoas, processos e dados. Esta retórica é profícua tanto na academia quanto no dia-a-dia das empresas e, paradoxalmente, pouco tem-se evoluído na prática.

livros recentes, como o de Fisher e Raman em “The New Science of Retail: How Analytics are Transforming the Supply Chain and Improving Performance” e o de Lewis e Dart em “The New Rules of Retail: Competing in the World ́s Toughest Marketplace”, apontam a necessidade de conciliar estes pilares e ilustram casos de pesquisas realizadas em líderes de mercado que investem na associação de processos analíticos, desenho de cadeias de abastecimento flexíveis, controle da cadeia de valor e alinhamento de incentivos como uma importante e contemporânea estratégia de operação para o varejo e distribuição.

O paradoxo passa a ser desfeito quando inúmeras questões práticas demandam respostas que, quando corretamente endereçadas, potencialmente remetem as empresas a um novo patamar operacional. O ponto central é que estas questões nem sempre são triviais e acessíveis, seja pelo capital humano envolvido ou pela realidade dos orçamentos. Ilustrativamente, é bastante razoavel supor que previsibilidade operacional permite uma alocação mais eficiente dos recursos financeiros e não-financeiros da empresa. Mas para chegar a previsibilidade operacional é necessário integrar em toda a empresa processos para prever demandas e erros associados, políticas de estoque e compras claras e ser capaz de simular o fluxo de materias em toda a cadeia (níveis de estoque, entradas e saídas nos PDV ́s e CD ́s, distribuição, etc) agregando decisões, custos e receitas no período apropriado.

A estratégia para chegar à previsibilidade operacional é mais tangível e discutida na literatura que e a tática de integração e escolha dos modelos de previsão, otimização, simulação, indicadores chave, desenho de processos, perfil das pessoas envolvidas, papeis e alçadas dentro da empresa. Neste contexto, a idéia desta discussão é auxiliar os profissionais a estruturar um modelo de gestão, aliando inteligência analítica dos processos decisórios e governança corporativa, capaz de integrar as áreas administrativas da empresa e gerar os incentivos corretos.

Esta discussão é particularmente interessante no cenário atual, pois há a convergência de diversos fatores que favorecem as empresas propensas a repensarem suas operações: alta competitividade e dinâmica do mercado, custo decrescente de armazenagem de informação e sistemas transacionais, oferta crescente e acessível de produtos e serviços voltados para a inteligência analítica. Neste link há um aprofundamento deste tema e a apresentação de um modelo integrado de gestão.

* Por Rodrigo Neman (neman@st2g.com.br): sócio da ST2G Inteligência Analítica, consultoria em Business Analytics. Doutor em Física pela Unicamp, desenvolve e implementa modelos decisórios em Cadeias de Abastecimento de Alta Volatilidade de demanda, Marketing Analítico e Riscos Financeiros. Suas áreas de interesse são teoria de otimização, econometria e simulações estocásticas.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • Eld Loureiro

    Bom dia Leandro!

    Acredito que um fator tão comum e tão óbvio, esteja sim sendo niglegenciado pelas empresas. Pelas Grandes Empresas também. Elas buscam esse objetivo, mas se atrapalham em sua visão míope na hora de decidir em que investir realmente. Passo por um processo exaustivo com uma grande companhia francesa de cosméticos, que apesar da liderança no setor, não sabe nada de distribuição no Brasil. Encaminhei o link de sua matéria para ver se haverá ao menos um início de interesse da parte deles… quanto a você, está de parabéns como sempre!

    Um Abraço!