Logística de classe mundial – parte 1

Esta matéria será dividida em duas partes:

Parte 1: Pesquisas preliminares para identificar fatores e características históricas que levaram ao desenvolvimento da logística de classe mundial.

Parte 2: Discussões sobre as qualidades de uma empresa com logística de classe mundial e conclusões.

Texto de autoria de Neimar Follmann e Douglas Hörner

Como forma de organizar cronologicamente os trabalhos serão apresentados com as suas respectivas datas de conclusão.

1989 – Liderança Logística: Posição competitiva de destaque para os anos 90.

O foco principal foi expandir o entendimento geral do que eram constituídas as melhores práticas dentro da emergente área da logística. Entendia-se que as melhores práticas logísticas poderiam ser generalizadas através das indústrias, tão bem quanto pelas empresas que compunham a cadeia de distribuição.

A principal conclusão deste estudo foi que as melhores práticas eram fundamentalmente similares, indiferentemente da indústria, da posição no mercado ou do tamanho da empresa.

As características das empresas líderes, eram:

–          Exibem um compromisso superior com os clientes;

–          Dão alto destaque ao desempenho base (padrão);

–          Desenvolvem sofisticadas soluções logísticas;

–          Enfatizam o planejamento;

–          Envolvem uma grande área para o controle funcional;

–          Possuem um processo logístico altamente formalizado;

–          Destacam a flexibilidade;

–          Comprometem-se com alianças externas;

–          Investem no que há de mais moderno no que diz respeito à tecnologia da informação;

–          Empregam medidas de performance completas.

1992 – Excelência Logística:

O estudo sobre excelência logística desenvolveu um modelo, representado pela figura 01, para que tornasse possível a constante renovação necessária nas empresas, já percebido naquele momento.

modelo da liderança logísticaFigura 1 – O modelo da liderança logística

Fonte: The Global Logistics Research Team, 1999

Este primeiro modelo afirma que a melhor prática é resultado da integração dos processos internos da logística, seguido pela integração e desenvolvimento externo das relações com a cadeia de suprimentos. A integração interna foi vista como resultado do compromisso com a formalização dos processos logísticos, adoção tecnológica e a medição contínua da performance. Externo à empresa, a integração da cadeia de suprimentos requer o compromisso com a disseminação da informação, conectividade e formalização dos processos logísticos interorganizacionais. Um alto nível de formalização interna e externa resulta em flexibilidade logística.

Pode-se entender pela formalização uma espécie de mapeamento, onde fique claro para todos como o processo de seu parceiro funciona, além da firmação do compromisso do bom atendimento. É isso que traz a flexibilidade.[1]

Principais projeções:

–          A demanda básica por serviços logísticos irá expandir;

–          Restrições ambientais e de estrutura irão se tornar mais fortes;

–          Os recursos humanos serão um fator crítico;

–          Competência Logística será vista cada vez mais como um recurso estratégico;

–          Arranjos logísticos se tornarão mais conectados;

–          A tecnologia continuará remodelando os processos e canais logísticos convencionais;

–          Será dada ênfase gerencial à contabilidade de processos;

–          Organizações logísticas se tornarão cada vez mais transparentes.

1995 – Logística de Classe Mundial

Pesquisa lançada em Maio de 1993 pelo extinto CLM (Council of Logistics Management), onde a principal intenção de todos era entender melhor como as melhores empresas do mundo alcançavam e mantinham sua excelência logística.

Para que a pesquisa pudesse ter comprovação científica e valor para as empresas ela foi dividida em quatro metas principais:

Generalização – Elaborar e melhor entender os aspectos fundamentais de uma performance logística superior;

Universalidade – Confirmar a crescente convicção de que as capacidades e práticas que suportam a logística classe mundial eram fundamentalmente as mesmas em todas as nações industriais desenvolvidas.

Dinâmica – Melhor entender como os gerentes logísticos realizam mudanças com alto impacto.

Relevância – Desenvolver evidência efetiva e circunstancial para apoiar a importância da existência da logística classe mundial.

As informações acima foram geradas com base em três fontes:

–          Questionário padrão distribuído a várias empresas

–          Entrevistas

–          Três Teses de Doutorado

O questionário padrão teve ao todo 3.693 respostas, o que representa 17,1% do total de questionários enviados. Ele buscava avaliar profissionalmente as melhores práticas de empresas membros do extinto CLM, e depois para empresas membros de mais dez organizações logísticas profissionais.

As entrevistas foram feitas em 111 empresas da América do Norte, Europa e “Bacia Pacifica”. Procurou-se identificar com maior profundidade no que consistia a Logística de Classe Mundial. No total foram entrevistas empresas de 17 diferentes países. Todas as empresas foram pré-avaliadas por uma equipe de experts como tendo grandes chances de possuir as capacidades da logística classe mundial. A metade da amostra selecionada era da América do Norte.

A entrevista era uma espécie de diálogo, que iniciou em meados de 1994. Além disso, foi mantido contato futuro no sentido de tirar dúvidas remanescentes. Todas as empresas entrevistas foram avaliadas conforme um índice que refletia o comprometimento e alcance no que diz respeito a capacidades e competências logísticas específicas.

O índice gerado pelas entrevistas foi feito com base no índice gerado pelas pesquisas padrão. Ou seja, gerou-se uma nova base de dados a partir de uma já existente.

Três teses de doutorado (doctoral dissertations) foram utilizadas com o enfoque de estudar as alianças logísticas. Manufatura/mercados, manufatura/fornecedores e manufatura/ prestadores de serviços foram os três campos estudados.


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Escrito Por : É mestre em Engenharia de Produção com foco em Logística e Transportes, pela Universidade Federal de Santa Catarina. É formado em Administração e possui especialização em Métodos de Melhoria da Produtividade pela UTFPR. Possui experiência na gestão de frota, em empresas de transporte de cargas, e logística industrial, no ramo moveleiro. Cursa Doutorado em Engenharia de Produção na UFSC.

em : segunda-feira, 22 fev, 2010