O Povo Brasileiro e os Impostos
O Brasil é o país emergente que possui a maior carga tributária, e a maior taxa de juro do mundo.
No Brasil a carga tributária representa 35,21% do PIB, em comparação com o Japão onde a carga tributária é de aproximadamente 20% e o Estado consegue oferecer serviços públicos como saúde, educação e segurança de boa qualidade. Para comparar com outros países sub-desenvolvidos, nos sul-americanos Argentina os tributos representam 21% do PIB e no Chile, 19%.
A maior causa da alta carga tributária brasileira é o número de impostos, que é maior do que em qualquer outro país. Em muitas nações subdesenvolvidas ou em desenvolvimento há no máximo 2 impostos, um federal e um estadual, como é o caso da Argentina. Nos países desenvolvidos, há apenas um imposto.
O Brasil é o país que mais tributa alimentos no mundo, com uma taxa de 17%, enquanto que nos EUA esse tributo é de 0,7%, na Europa 5%.
Para cada R$ 100,00 gastos, o brasileiro paga em impostos, R$ 64,40 na luz, R$ 40,20 no telefone, R$ 19,80 no leite longa vida, R$ 19,40 na carne bovina, R$ 17,70 no pão e R$ 7,90 no arroz.
O alimento que consumimos diariamente tem embutido em seu preço seis (6) impostos, que são: PIS (Programa de Integração Social), COFINS (Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social), ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), Contribuição Previdenciária, Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro.
O brasileiro paga imposto em tudo o que consome, e em percentuais bem superiores aos de qualquer outro país em desenvolvimento. Na tarde do dia 26.07.2010, o governo brasileiro atingiu a marca de arrecadação de impostos de R$ 700 bilhões, isso mesmo, 700 bilhões de Reais arrecadados da população, sem distinção, se de baixa ou alta renda, segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT. É muito dinheiro tirado das mãos do trabalhador, para que tenhamos serviços públicos como (educação, saúde e segurança) de péssima qualidade no país.
Quantos médicos, dentistas, engenheiros, professores, pesquisadores, cientistas, o país deixa de ganhar, porque as crianças não têm condições de estudar, nem de comprar material escolar ou uniforme ou outra roupa para que possam ir as aulas?
Em nosso País, não está tendo incentivo para o estudo, pois se estudam passam fome, então a única alternativa é ajudar a família a ganhar o sustento de cada dia.
Estas crianças que não estão tendo o incentivo para ficar somente na escola, mas que tem vontade de estudar, que tem vontade de ser alguém que possa dar um retorno tão esperado ao país, mas que por um infortúnio da vida, vivem na miséria, sem nenhuma condição, é que poderiam ser o futuro médico, o futuro engenheiro, o futuro pesquisador que nosso país tanto precisará, mas por falta de oportunidade ficaremos carentes de mão de obra especializada, ocasionada com toda a certeza pela alta carga tributária imposta aos brasileiros.
Para conhecimento, veja no final desta matéria uma tabela com o percentual de impostos que pagamos sobre muitos produtos que compramos.
A isenção de tributos sobre os alimentos reduziria a população indigente brasileira em 24,2%. E ainda em 7,1% o número de pobres. É o que mostra a pesquisa do Ipea, que analisou o impacto da carga tributária sobre alimentação com base em dados do IBGE.
O governo incentiva a compra e a troca de veículos, com uma mísera redução do IPI, enquanto o mesmo carro aqui fabricado, chega no México ou outro país da América do Sul, pela metade do valor pago pelo brasileiro. Que incentivo é este para o brasileiro que paga bem mais caro no mercado interno o mesmo veículo aqui fabricado e exportado para os países do Mercosul.
Que tal comprar um carro novo por quase a metade do valor? Quem entra em uma concessionária em Buenos Aires ou na Cidade do México pode encontrar alguns carros idênticos aos vendidos em São Paulo. O que muda, e muito, é a hora de fechar o negócio.
Um modelo que no Brasil custa R$ 32 mil é vendido na Argentina pelo equivalente a R$ 22 mil, e sai ainda mais barato no México: R$ 18 mil.
Diferenças tão grandes nos preços são explicadas, em parte, pelos impostos. Na Argentina, a carga tributária em um automóvel varia de 15% a 20%. No México, 20%. Já no Brasil, fica entre 27% e 40%.
Dois exemplos: O caso do Renault Logan é emblemático. Se você acha baixo seu preço básico, de R$ 27,89 mil, deveria ver por quanto é vendido o Nissan Aprio, o nome que o Logan recebe lá no México, sob o emblema da marca japonesa. Lá, o carro começa nos 101,7 mil pesos, ou R$ 15.634. A questão é que esse preço não é para o carro com motor 1-litro, sem nenhum acessório, mas sim pelo carro com motor 1,6-litro 16V, que nem aparece mais entre as opções do modelo nacional. Por aqui, o máximo é o 1,6-litro 8V. A partir de R$ 32,12 mil. Mais do que o dobro.
Outro modelo baratinho no Brasil é o Chevrolet Classic, o antigo Corsa Sedan. Baratinho? O modelo 2010 VHCE sai a partir de R$ 25.379. No México, um parente do Classic, chamado de Chevy Sedan, sai por 108.576 pesos, ou R$ 16.691. Mas não pense você que ele vem com o mesmo motor 1-litro do Classic, não. Lá ele usa o 1,6-litro da Chevrolet e vem com toca-CD pronto para MP3. E também tem opção com câmbio automático. Custa 135,95 mil pesos, ou R$ 20.899.
Onde está nossa tão propalada reforma tributária? há mais de 10 anos está engavetada no congresso. Porque não é colocada em discussão nas comissões econômicas da Câmara Federal? Porque não vai a plenário para discussão? Será que não atende aos interesses de nossos representantes? Porque não colocar em discussão a reforma tributária e efetuar de vez a tão sonhada redução de impostos, passando nossos mais de 50 impostos para somente 1 ou 2?
Veja a tabela com os impostos em diversos produtos que compramos:
PRODUTO % TRIBUTOS SOBRE PREÇO FINAL PRODUTO % TRIBUTOS SOBREPREÇO FINAL
MÓVEIS MATERIAL ESCOLAR
Mesa Madeira 30,57% Caneta 48,69%
Cadeira Madeira 30,57% Lápis 36,19%
Sofá de Madeira/Plástico 34,50% Borracha 44,39%
Armário Madeira 30,57% Estojo 41,53%
Cama Madeira 30,57% Pastas Plásticas 41,17%
Tapete 34,50% Agenda 44,39%
Estante/Cama/Armário 37,56% Papel Sulfite 38,97%
livros 13,18%
MATERIAL DE LIMPEZA Mochilas 40,82%
Álcool 43,28% Régua 45,85%
Detergente 40,50% Pincel 36,90%
Saponáceo 40,50% Tinta Plástica 37,42%
Sabão em Barra 40,50% Mensalidade Escolar 37,68% (ISS de 5%)
Sabão em Pó 42,27%
Desinfetante 37,84% DIVERSÃO
Água Sanitária 37,84% CD (Disco) 47,25%
Esponja de Aço 44,35% DVD (Disco) 51,59%
Vassoura 26,25% Brinquedos 41,98%
Vídeo Cassete 52,06%
LOUÇAS Aparelho Som 38,00%
Pratos 44,76% Computador 38,00%
Copos 45,60% Telefone Celular 41,00%
Garrafa Térmica 43,16%
Talheres 42,70% transportes
Panelas 44,47% Motocicleta até 125 CC 44,40%
HIGIENE PESSOAL Motocicleta acima 125 CC 49,78%
Sabonete 42,00% Bicicleta 34,50%
Xampu 52,35% Passagens Aéreas 8,65%
Condicionador 47,01% Transp. Rod. Interest. Passag. 16,65%
Desodorante 47,25% Transp. Rod. Interest. Cargas 21,65%
Aparelho Barbear 41,98% Transp.Aéreo de Cargas 8,65%
Papel Higiênico 40,50% Transp.Urbano Passageiros 22,98%
Pasta Dente 42,00% Gasolina 57,03%
Automóvel 43,63%
PRODUTOSALIMENTÍCIOS
Carne Bovina 18,63% ELETRODOMÉSTICOS
Frango 17,91% Fogão 39,50%
Peixe 18,02% Microondas 56,99%
Sal 29,48% Ferro de Passar 44,35%
Trigo 34,47% Liquidificador 43,64%
Arroz 18,00% Ventilador 43,16%
Óleo Soja 37,18% Refrigerador 47,06%
Farinha 34,47% Batedeira 43,64%
Feijão 18%
Açúcar 40,40% PRODUTOS CAMA/MESA/BANHO
Leite 33,63% Toalhas (Mesa/Banho) 36,33%
Café 36,52% Lençol 37,51%
Macarrão 35,20% Travesseiro 36,00%
Margarina 37,18% Cobertor 37,42%
Molho Tomate 36,66%
Ervilha 35,86% MATERIAL DE CONSTRUÇÃO
Biscoito 38,50% Casa Popular 49,02%
Chocolate 32,00% Telha 34,47%
Achocolatado 37,84% Tijolo 34,23%
Ovos 21,79% Vaso Sanitário 44,11%
Frutas 22,98% Tinta 45,77%
BEBIDAS DIVERSOS
Refresco em Pó 38,32% Roupas 37,84%
Suco 37,84% Sapatos 37,37%
Água Mineral 45,11% Medicamentos 36,00%
Cerveja 56,00% Contas de Água 29,83%
Cachaça 83,07% Contas de Luz 45,81%
Refrigerante 47,00% Contas de Telefone 47,87%
Cigarro 81,68%
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