O que falta para o real desenvolvimento do Brasil

o que falta para o desenvolvimento do BrasilJá discutimos como a qualificação profissional é importante para o sucesso na carreira; já abordamos também que questões estruturais precisam ser resolvidas se quisermos manter um crescimento sustentável de nossa economia e indústria. Mas o Brasil sofre com um problema ainda maior: o analfabetismo funcional.

Pelo menos 75% dos brasileiros não dominam a leitura, a escrita e a matemática. Isso se reflete não só no mercado de trabalho, mas na sociedade de maneira geral. Um candidato a Deputado Federal é alvo de investigações por suspeita de ser analfabeto (analfabetos não podem se candidatar), e ainda assim é o mais votado do Brasil. Isso mostra que o baixíssimo nível de escolaridade se reflete em outros analfabetismos, como o analfabetismo político. O palhaço Tiririca fez uma campanha baseada na piada, zoando o processo eleitoral e ainda consegue mais de 1,3 milhões de votos. Não é surpresa que partes do governo funcionem mal.

Para pôr o Brasil num novo patamar de desenvolvimento econômico e social, o presidente eleito terá que desatar os nós que ainda emperram o crescimento sustentado do país. Investir fortemente em educação, saúde e segurança, aprovar reformas essenciais no Congresso e resolver os gargalos na infraestrutura. Os problemas na área social, na economia e na política aparecem em estatísticas e análises de especialistas.
Alguns foram abordados na campanha eleitoral, mas de forma superficial. No governo, o próximo presidente terá que arregaçar as mangas e usar o capital político tirado das urnas, se quiser, de fato, colocar o país definitivamente nos trilhos do desenvolvimento.

Em 2009, segundo o IBGE, 29,3 milhões de brasileiros, ou 20,3% da população, eram analfabetos funcionais. Essas pessoas sabem escrever o próprio nome, mas não conseguem compreender o que leem.
Só 25% dos brasileiros dominam a escrita, a leitura e a matemática para se expressar e entender o que está à sua volta no contexto econômico e tecnológico atual. O dado, do Indicador de Analfabetismo Funcional 2009, produzido pelo Instituto Paulo Montenegro, é esclarecedor para entender os graves problemas de falta de mão de obra qualificada que o país terá de superar na busca pelo crescimento sustentado.

No topo da lista de reclamações da indústria brasileira, a falta de mão de obra qualificada é apontada pelo governo como o principal desafio a ser enfrentado para atender às demandas crescentes da economia.

Ainda de acordo com o IBGE, apenas 37,9% dos jovens, com idade entre 18 e 24 anos, tinham 11 de estudo, em 2009, o que torna difícil o cumprimento da exigência constitucional de ampliação do ensino obrigatório, de nove para 14 anos, a partir de 2016.

- Está claro que o problema da educação no Brasil, principalmente o analfabetismo, tem endereço e confirma a exclusão histórica brasileira. Para levar o país ao mesmo nível de países como Chile e Argentina, é preciso resolver o gargalo do analfabetismo e ampliar o ensino superior.

O diretor de estudos sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão afirma que na velocidade em que vamos, vai levar muito tempo, e que existem 50 milhões de vagas no ensino médio, o que não é trivial, mas considera ser preciso ampliar a educação básica e melhorar sua qualidade.

Outro desafio a ser enfrentado de imediato, na visão do cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília, é uma reforma administrativa para melhorar os sistemas de governança na educação e em outras áreas básicas, como a saúde.

- Há graves problemas de governança na educação, com uma prestação de serviços muito assimétrica por parte da União, estados e municípios – destaca Barreto.

Os gargalos emperram o desenvolvimento social e econômico do país. Na economia, geram prejuízos para as empresas, que perdem clientela e competitividade com os problemas da infraestrutura.
Para o presidente eleito da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, o bom momento que o país vive, com a economia em expansão, mostra que temos condições de chegar lá, desde que os gargalos sejam resolvidos.

Ele destaca que os investimentos em infraestrutura são de médio e longo prazo, mas precisam ser planejados e iniciados sem demora para atender às demandas crescentes de um país em ritmo acelerado de crescimento.

- A infraestrutura é ineficiente, os aeroportos não permitem que se tenha confiabilidade para fazer negócios. Tem que planejar e começar agora, não dá para ficar esperando – afirma.

Para viabilizar o crescimento forte e sustentado da economia, Andrade põe a desoneração das exportações e dos investimentos e a redução do custo do capital entre os desafios que precisam ser enfrentados de imediato pelo novo governo.

Ele acredita também que haverá condições de aprovar as reformas tributária, trabalhista e da Previdência.

- O presidente eleito iniciará o governo com muita força. A força do voto dará a legitimidade para negociar reformas. É o momento adequado. Se não forem feitas, estaremos condenados a uma taxa de crescimento e investimentos muito aquém das necessidades do país.

O cientista político Leonardo Barreto inclui a reforma política entre os desafios que o presidente eleito enfrentará para que o país atinja um novo patamar de desenvolvimento.

* Adaptado do jornal O Globo por Regina Alvarez e Vivian Oswald


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Escrito Por : Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

em : segunda-feira, 4 out, 2010


  • http://www.nwmidia.com.br marketing empresaria

    Excelente post!

  • Marcelo Ferreira

    Otima reportagem estou completamente de acordo, só que não vejo só o presidente como esta responsabilidade os nossos representantes no congresso e no senado devem também puxar estas frentes pois eles também represetam o povo.

    abraços

  • http://tulio@avellar-comex.com.br Túlio Gon&cce

    Não ADIANTA ficar LAMENTANDO a NOSSA CONSTITUIÇÃO E FALHA UMA CONSTITUIÇÃO FEITA NAS COXAS DURANTE UMA NOITE, não podemos reclamar. A UNICA PROFISÃO QUE NÃO EXIGE NEM 4° SERIE DO PRIMARÍO E A DE ( POLITICO ) até para varrer calçadas, coletar lixo é exigido 8° SERIE. Então não podemos reclamar essa VOTAÇÃO FOI UMA RESPOSTA QUE OS BRASILEIROS ESTÃO CANSADOS DE SER ENGANADOS AGORA O (TIRIRICA) VAI CONTAR O QUE REALMENTE ACONTECE NO CONGRESSO NACIONAL. Parabens TIRIRICA AGORA SIM EU ACREDITO NA DEMOCRACIA.

  • http://log.descomplicada ginalva

    O interessante é que é um problema nacional, também falta qualificação nas escolas públicas,a única pública com qualidade pobre não passa, que são as univerdidades estaduais e federais, deveriam ser ao contrário não entendo bem isso mas no Brasil é assim.

  • http://www.inaciorodrigodecastro.com.br Inácio Rodrig

    Comparando a participação do povo na política brasileira, constatamos que houve uma grande evolução. Com a internet como ferramenta imagino que a cada ano o envolvimento será maior. Parabéns para o editor desse blog que abre canais de relacionamento com assuntos de extrema importância.

  • Jose Jorge Lima

    Lamentavelmente, apesar do conhecimento que conseguimos a muito custo, ainda não somos adequadamente educados em CIDANIA.

    Não é tão simples educar e formar Cidadão, mesmo porque o poder público não dispõe de faculdade nem ensino médio dedicado a essa função.

    Raramente apenas alguns "Educadores" se martirizam em busca desse ideal.

    As ONGs se precupam e se esforçam neste sentido, mas com parco apoio financeiros e falta de Recussos Humanos.

    A Cidadania precisa ser autodidata, dispomos de uma extraordinária ferramenta, a Rede (network) nos permite comunicarmos à velocidade da luz, bastaria que difundíssemos a quantos pedessemos atitude ou ações por exemplo:

    Exigir dos candidatos em todos os níveis de cargos, que apresentassem um Plano de Governo Claro e Objetivo, registrado em cartório como um contrato.

    Tal instrumento público, ficaria á disposição da sociedade para cobrar e fiscalizar aquele que se elegerem.

  • Jarlei

    Nao podemos falar somente da educacao de bancos escolares, de Matematica e Portugues (extremamente importante), mas da Educacao como um tudo, envolvendo ate mesmo higiene pessoal, transito, relacionamento.

    Me parece que falta a nos brasileiros um sentido de cidadania, de entender a rua, o poste, a estrada como sendo nossa, fazendo parte da nossa educacao – as questoes tem que comecar pelas acoes mais simples, me parece nao ter um exemplo maior de falta de cidadania e educacao do que alguem estacionar o carro em cima da calcada…e isto envolve educacao em casa tb – mas para dar isto, a familia precisa ter entendido a importancia de transmitir para os filhos, porem como transmitir isto quando o presidente, super popular, ironizar e diminui questoes como mensalao, sigilo ? Exemplo e pratica, tem que acontecer partindo do topo, em uma casa, dos pais, em um pais, do presidente.

  • http://www.logisticadescomplicada.com/ Logística Des

    José e Jarlei,

    Concordo com vocês, além de todos os analfabetismos (de língua, matemática, político) temos que combater o "analfabetismo de cidadania" também. Os comentários de vocês foram muito claros quanto a isso.

    Obrigado por trazer questões tão importantes para discussão neste espaço.

  • Ariadne Cayres

    Parabéns para o autor deste post que me chamou muito a atenção! Palavras como estas que servem para mim como auxílio para investir na minha vida profissional; Tenho 17 anos e curso Técnico em Administração no Senac! A MUDANÇA DEPENDE DE CADA UM DE NÓS…