Os desafios da mobilidade urbana para o turismo

mobilidade urbana e o turismoO problema da mobilidade urbana já é assunto recorrente aqui no logística Descomplicada. Vimos desde as previsões para a logística de 2010 (feitas ano passado) como as preocupações econômicas e ambientais existentes na Holanda que o tema tem importância mundial. Também basta viver uma cidade de porte médio para enfrentar diariamente trânsito caótico e congestionamentos.

Confira neste texto de Aliator Silveira* algumas considerações muito bem feitas sobre a mobilidade urbana e os prejuízos para o turismo.

Receber bem o turista é o desafio de qualquer destino turístico, principalmente quando se deseja que a experiência não termine em apenas uma visita, mas continue com o passar dos anos e abranja diversas gerações. Para alcançar esse objetivo, diversos fatores devem ser considerados. Além do fator segurança, o destino deve estar preparado e equipado para oferecer boas opções de hospedagem, gastronomia, eventos e entretenimento. O turista precisa conseguir se deslocar com facilidade dentro da cidade seja de carro ou por meio de transporte coletivo.

Eis um dos desafios do turismo atual, a mobilidade urbana. A cidade de Phuket, na Tailândia, tem a pior mobilidade do mundo. A mesma pesquisa que elegeu Phuket colocou Florianópolis em segundo lugar. De acordo com a Universidade de Brasília (UnB), a Capital catarinense está no topo do ranking brasileiro, ficando à frente do Rio de Janeiro. Florianópolis lidera a lista pela falta de planejamento urbano, pela não utilização do transporte marítimo, pela escassez de ligações entre os bairros e pela ausência de integração entre os meios de transporte.

Algumas ações imediatas e simples poderiam ser tomadas para diminuir a insatisfação de moradores e turistas com a situação do trânsito, como a qualificação dos agentes de trânsito, taxistas, motoristas de ônibus etc., e a implantação de pontos de informação turística.

Mas, mesmo com a mudança de atitude desses agentes, é inevitável que, com o crescimento inexorável de várias regiões, a mobilidade urbana sofra entraves ainda maiores, carecendo que providências estruturais profundas na infra-estrutura da cidade, sejam de pronto adotadas.

Outro aspecto que merece atenção é o tempo nos congestionamentos.  Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) calculou que a Capital paulista perde R$ 27 bilhões por ano em valor de riqueza adicional, que poderia ser gerada caso o período gasto no trânsito fosse aplicado ao trabalho. Podemos, então, refletir sobre os valores perdidos em cidades turísticas litorâneas, como Florianópolis, que, cada vez mais, assistem seus visitantes presos em engarrafamentos quando, na verdade, deveriam estar usufruindo de passeios em shoppings, praias e restaurantes, movimentando a economia da cidade e do Estado.

Nesse aspecto, é possível que o trânsito determine a satisfação com relação ao destino turístico, assim como a vinda, ou não, de novos investidores. Apesar da falta de investimentos em infra-estrutura e soluções profundas em transporte inexistirem há décadas, o momento exige mudanças imediatas. O assunto ainda é reversível, desde que as ações não tardem.
É para ganhar e não perder riquezas que projetar o futuro é um dos desafios de planejamento para cidades que têm no turismo um meio de negócio.

* Aliator Silveira é diretor de economia e estatística do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) Grande Florianópolis e diretor executivo da Hantei Engenharia. Este texto foi publicado no Diário Catarinense-DC (jornal de maior tiragem em Santa Catarina) no dia 20 de Fevereiro/10 e na revista mensal do SINDUSCON da Grande Florianópolis do mês de Fevereiro/10.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).