Postponement e a importação de carros

Postponement e a importação de carros

Se você compra um Toyota fabricado no Japão, onde você acha que a última etapa de produção e montagem ocorre? Se a compra acontece nos EUA, esta última montagem ocorre em um porto próximo a Nova Iorque!

Os carros são importados do Japão e a última parte da montagem ocorre bem próximo ao cliente. A finalização é atrasada o máximo possível. Isto é o postponement. Não é surpresa que a montadora japonesa tenha equipes que verifiquem e reparem algum problema que tenha acontecido durante o transporte. O que nos surpreende um pouco é que algum trabalho de customização aconteça bem próximo do cliente, quando o carro já está importado. Estas etapas incluem instalação de comunicação Bluetooth ou do rack no teto.

linha de produção toyotaAs instalações da Toyota junto ao porto de Newark tem quase 400 mil metros quadrados. É praticamente uma pequena planta de produção, apesar de todo o trabalho – o que chamam de “instalação no porto” das opções para 21 modelos diferentes – ser feita basicamente com ferramentas simples, ao invés de robôs controlados por computadores. Cerca de 185 funcionários trabalham nas diferentes estações: lavação, controle de qualidade e 5 centros de produção.

Ao adicionar itens tais como tapetes ou aparelhos de GPS nos centros de distribuição ao invés de o fazer nas fábricas, a Toyota dá aos consumidores e chance de mexer nos pedidos até 2 dias antes de o veículos chegarem aos EUA. E também dá aos vendedores uma chance de se destacar da concorrência.

“Nós queremos adaptar o veículo para aquilo que o cliente quer”, disse Bill Barret, gerente nacional de logística na instalação de Newark. “Nós construímos o carro que eles querem”.

O trabalho seria paralisado sem Rui Sousa, cujo trabalho é comprar os acessórios diariamente de vários fornecedores, de acordo com as expectativas e previsões para os próximos dois dias. A chave, segundo ele, é diminuir o volume de acessórios para carros pouco populares ou que estão passando por mudanças no modelo, e manter estoque suficiente para os mais populares. (Alguém identifica um início de análise ABC?)

“Estamos tentando encontrar o equilíbrio adequado”, disse Sousa, que afinou seu sistema tão bem que o tamanho dos estoques just-in-time foi diminuído em 66% durante os últimos 4 anos.

Este é realmente um bom exemplo de uma estratégia de postponement: atrasar a diferenciação do produto até que a demanda, se ainda não é totalmente conhecida, é ao menos “menos desconhecida”. Ao fazer a finalização em Newark dá aos vendedores várias semanas para determinar se eles realmente precisam daquelas rodas chiques ou do GPS nos carros.

A alternativa a fazer o trabalho no porto seria deixar que o vendedor faça a instalação dos acessórios, o que também existe. No entanto, a instalação centralizada deve ter alguma vantagem em relação aos vendedores. Primeiro, consegue-se um trabalho mais consistente. Isto não faz diferença para alguns eletrônicos que basta ligar um cabo e estão prontos, mas faz diferença quando modificações físicas são necessárias, como por exemplo quando os racks são parafusados no teto. Segundo, o estoque centralizado diminui os custos ao exigir menos estoques. Uma grande pilha de estoque em Newark certamente é maior do que cada um dos revendedores teria, mas muito menor do que a soma de todos os pequenos estoques que todos os revendedores teriam que manter.

Além de carros, quais outros produtos podem ser finalizados depois da produção principal? Discuta abaixo nos comentários com outros leitores.

Baseado no texto “Postponement and importing cars” de Martin A. Lariviere, publicado no blog The Operations Room. Tradução e adaptação feitas por Leandro Callegari Coelho e autorizadas pelos autores exclusivamente para o Logística Descomplicada.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • Um processo de Postergação muito usado, são as fábricas de Tintas. Hoje os estoques de tintas prontas nas lojas foram bastante reduzidas, finalizando o pedido do cliente no ato da compra.

  • Reinaldo

    Ao meu ver, no caso de transportar as motocicletas desmontadas seria apenas uma forma de otimizar o transporte, uma vez que elas montadas ocuparia pelo menos 2 vezes e meia o seu espaço encaixotada até o concessionário.

  • Fernando Farias

    as fabricantes de motocicletas por exemplo, as motocicletas chegam as concessionarias desmontadas, assim ganha se em espaço no transporte, reduzindo o custo logistico e o risco de avarias.

  • Francisco Reis J&uac

    Bom, seguindo a linha de produtos menos tecnológicos, podemos citar as camisas de times de futebol.

    Por regra, as camisas dos jogadores que despertam maior atenção dos torcedores (a exemplo de Fred no Fluminense, Ronaldinho Gaúcho no Flamengo e de Adriano no Corinthians) saem das fábricas dos fornecedores de material esportivo já com um certo número de ítens com o nome dosprincipais atletas atletas. Porém não apenas estes são procurados, e a demanda pode variar de acordo com o desempenho dos outros atletas. Por isso, os clubes e lojas optam por customizar as camisas com os nomes de seus atletas no ato da compra, conforme o desejo do consumidor.

    • Davi

      isso não é uma postegação. é só uma economia de espaço.

  • João C&eacute

    Computadores, como no caso da Dell que já utiliza este método há muito tempo.

    • Exato, tem vários exemplos, até alguns menos tecnológicos. Quem consegue citar mais alguns?

    • Elaine Souza

      E a DELL foi muito feliz em adodar este médoto, pois é prático, dinâmico e vesátil, satisfazendo as necessidades dos clientes. Sem falar que a logística deles é ótima, dão total apoio até a entrega do computador.

    • Davi

      um exemplo tb de postegação é a pizza, a massa tem que está pronta e depois do pedido que vai ser recheada confome o pedido do cliente.