Sérias alterações a caminho do ambiente chinês – e do mercado global

fábrica chinaA China tornou-se uma potência industrial e o principal parceiro comercial de muitos países (dentre eles o Brasil) graças aos seus baixos custos de produção, atingidos especialmente com o altíssimo volume e baixos salários pagos. O papel do câmbio chinês (fixo e muito criticado pelas potências ocidentais) também colabora para o sucesso dos produtos made in China no mundo todo.

No entanto, este jogo está para mudar. O governo chinês sinalizou que flexibilizará sua política cambial e as empresas têm enfrentado crises de mão de obra pedindo aumento. Onde isso vai parar e quem será a nova “China” da vez? Confira abaixo:

Este mês a Honda sofreu com uma greve de funcionários pedindo 75% de aumento salarial. Além disso, um número considerável dos funcionários (em torno de 30%) são estagiários – recebem salário menor e menos benefícios. É uma relação ganha-ganha entre empresas, alunos e escolas: muitas empresas no sul da China empregam estagiários, que têm no estágio uma etapa obrigatória do currículo escolar dentro de empresas manufatureiras.
Outra empresa que também planeja aumentar os salários significativamente (30% na média, chegando a 70%) é a dona da Foxconn (produtos eletrônicos) depois que alguns suicídios ocorreram entre seus funcionários. A cidade de Shenzhen anunciou agora em julho que aumentaria o salário mínimo em 22%. Estes são apenas alguns exemplos do que está acontecendo naquele mercado.

Alguns analistas dizem que as greves são parte de um movimento nacional para aumento dos salários pagos aos trabalhadores de indústrias. Isso elevará os custos produtivos chineses e, claro, o preço dos produtos exportados. Se os atuais parceiros comerciais encontrarem alternativas para os produtos com custo maior vindos da China, o gigante asiático poderá entrar numa grande crise.

O governo começa a perceber este movimento, aliado às indústrias de outros países vizinhos, e incentiva suas indústrias a agregarem mais valor aos seus produtos, oferecendo não só volume e baixo custo, mas também qualidade. Esta é uma forma de ganhar outros mercados e não perder alguns dos já existentes quando o custo dos produtos receber o aumento que está sendo dado aos funcionários.

Por outro lado, isso representa uma enorme oportunidade para outros países, especialmente aqueles que hoje terceirizam parte da produção para a Ásia: com custos maiores por lá, algumas oportunidades poderão ser aproveitadas internamente, gerando mais vagas, demanda e novas indústrias.

Além disso, funcionários recebendo salários maiores (e lembrando que a China é o país com a maior população do planeta), representam uma enorme oportunidade e um mercado consumidor imenso que precisará comprar alimentos e produtos de todos os tipos. É um mercado em ascensão com um poder aquisitivo crescente.

Onde essa história toda vai parar? Ela não vai parar, e o mundo globalizado continuará girando e buscando as melhores oportunidades. Acredito que assim como as cadeias de suprimentos buscaram as oportunidades que a China ofereceu (e está prestes a acabar, segundo esses dados apresentados), ela encontrará outros lugares para continuar seu rumo: a Índia e África podem ser a nova China em pouquíssimos anos. Se olharmos para o passado poderemos ver que a terceirização de operações migrou a cada 20 anos (aproximadamente) para um local com os menores custos globais: antes dos processos globalizados eram os EUA e Europa que dominavam a cena industrial até 1970; Japão e Coréia dos anos 70 até 1990; a China cresceu entre 1990 e 2010. Agora chegou a vez da próxima mudança e ela começará seu crescimento na Índia para depois expandir-se para a África.

É esperar pra ver.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • A China, concerteza irá sofrer um grande crise no seu sistema, mas já esta planejando meios para reverter, agregando qualidade e valor aos seus produtos, coisa que o Brasil não fez, no caso do calçado, pois, se as empresas tivessem criados Marcas e não dependessem das Cias, não teriamos sofridos com a concorrência desleal dos outros paises.

    Abraço

    Fábio

  • Parabéns pelo blog.

    Que tenha muito sucesso!

    Um abraço

    Amarildo Nogueira

  • ginalva

    Já estava na hora do povo da China se revoltar com os baixos salarios pago por lá,se o pais estava crescendo porque então não distribuir a renda a seu povo? Bém feito para eles caso eles venham mesmo fazer greve, mas o brasil não fica atraz não, principalmente aqui na Ba em especial Feira de Santana,onde um monte de empresa estão vindo para cá e os salarios do comercio é 550,00 se baseiam por esse indice e coloca 50,00 a mais fazendo a fortuna crescer e escravisando o povo, que necessita do trabalho. ENTÃO CHINA E BRASIL SE PARECEM.

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