Série: Administrando a Produção 1 – VMI e TOC

Em recentes matérias aqui no logística Descomplicada vimos que diferentes sistemas produtivos e diferentes estratégias são utilizados pelas empresas, e que a identificação e a escolha adequada destes elementos define a vantagem competitiva da organização e pode resultar em grande sucesso (ou fracasso).

Hoje iniciamos a Série Administrando a Produção: serão três matérias que visam explicar um pouco mais sobre alguns sistemas ou tecnologias utilizadas para administrar a produção e agilizar o sistema logístico.

Começamos hoje explicando os sistemas VMI (Vender Managed Inventory) e TOC (Teoria das Restrições). Na quarta-feira o próximo artigo abordará os sistemas Just in Time e Kanban. O último artigo desta série vai ao ar na sexta-feira e trará explicações sobre a Pesquisa Operacional e a Teoria das Filas.

Aproveite! Veja agora o que são e pra que servem o Vendor Managed Inventory e a Teoria das Restrições.

Vendor Managed Inventory (VMI)

VMI significa Vendor-Managed Inventory, ou Estoque Gerenciado pelo Fornecedor. É um esquema de reposição de estoques em que o cliente não precisa controlar as quantidades disponíveis e fazer pedidos; esta responsabilidade é do vendedor, que tem acesso em tempo real ao nível de estoques em seus clientes e decide quando e quanto enviar para cada um. Os clientes economizam por não ter que alocar esforços (pessoas, tecnologia, tempo) para gerir alguns de seus produtos e os fornecedores podem tomar decisões em conjunto para vários clientes, aumentando a eficiência de processos produtivos e de sistemas de transportes.

Para funcionar adequadamente ele requer confiança entre os parceiros e sistemas de informação que possam “conversar” entre si (EDI – Eletronic Data Interchange ou Intercâmbio Eletrônico de Dados).

Teoria das Restrições (TOC)

A Teoria das Restrições (TOC – Theory of Constraints) foi desenvolvida pelo físico Eliyahu M. Goldratt, que procurou utilizar a lógica de raciocínio utilizada na Física para explicar os fenômenos que acontecem nas organizações, especialmente nas industriais. A maior contribuição de Goldratt foi dar destaque ao fato de que todo sistema produtivo contém uma restrição, e esta determina sua capacidade. A partir daí, ele concentrou-se em desenvolver ferramentas que permitissem o gerenciamento otimizado das restrições, e conseqüentemente do sistema.

As restrições podem ser de ordem física, como a demanda, o fornecimento de matérias-primas ou uma das estapas do processo produtivo, ou gerencial, como procedimentos, políticas e normas. Um dos pressupostos da TOC é de que todo sistema, tal como o de uma empresa que visa lucros, tem pelo menos uma restrição. Sendo assim, para melhorar o desempenho do sistema é preciso administrar a restrição. Se o sistema não possuísse uma limitação, ele poderia atingir resultados infinitos, o que não ocorre na prática.

Você já usou alguns desses sistemas? Conhece algum outro que mereça fazer parte desta série?

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • PEDRO FILIPPE

    Gostei muito da matéria.

    Achei interessante esta questão do VMI, porém o a empresa e o fornecedor devem ter um vinculo de confiançã muito grande para que nao aja nenhum tipo de sacanagem um com o outro.

  • Adriano m feitoza

    muito boa a matéria do wal-mart!!!!

  • VMI – A idéia do VMI é legal..mas exige um nível de organização alto de todas as partes (cliente e fornecedor) eu particularmente não conheço nenhuma empresa que utiliza este conceito com sucesso no ocidente. Na ásia sei que tem um conceito similar mas mais simples baseado em confiança e contratos de longo prazo e com objetivos claros entre as partes.

    TOC – Estudamos alguns casos e fizemos uma comparação entre TOC e PL o qual o TOC apresentou resultados ligeiramente inferiores ao PL.