Supply Chain conquista mais espaço nos últimos 2 anos

A pesquisa “Panorama de Supply Chain no Brasil – Cenário 2009”, desenvolvida pelo Inbrasc (Instituto Brasileiro de Supply Chain), delineou o cenário brasileiro referente à área de Supply Chain nas empresas. A análise abrangeu um universo bastante diversificado de segmentos de indústria. Os resultados, portanto, espelham essa diversidade de experiências e níveis de maturidade do papel da área.

Esta pesquisa privilegiou empresas de médio e grande porte. Cerca de 80% dos respondentes são empresas com faturamento anual superior a R$ 100 milhões, sendo que mais da metade dos respondentes faturam acima de R$ 600 milhões por ano. A pesquisa abrangeu um universo bastante diversificado de segmentos de indústria. Os resultados, portanto, espelham essa diversidade de experiências e níveis de maturidade do papel da área de Supply Chain nas empresas.

setor atuacao empresas pesquisadas pesquisa supply chain

O primeiro tópico da pesquisa é em relação à estrutura organizacional, 32% das empresas possuem uma posição de Diretoria como principal responsável por Supply Chain. A posição de Gerência como principal responsável foi indicada por 42% dos respondentes, sendo que apenas 4% indicaram ter vínculo hierárquico direto com a presidência. Finalmente, para 26% dos respondentes, ainda não existe a área de Supply Chain formalmente estruturada na organização.

“O que ainda ocorre em alguns casos é que as funções de Supply Chain existem, são executadas, mas ainda de forma dispersa e sem um foco estratégico na organização. É importante salientar que a existência da área de Supply Chain dentro de uma empresa nem sempre vem acompanhada do uso dessa denominação”, explica Carlos Panitz, presidente do Inbrasc.

posicao da area de supply chain - pesquisa

Quando o assunto são termos, entre logística e Supply Chain, 38% dos respondentes indicaram que não utilizam o termo ‘Supply Chain’ e tudo é tratado como Logística. 31% dos respondentes possui as funções de Logística subordinadas à área de Supply Chain e 26% dos respondentes indicaram que utilizam apenas o termo Supply Chain, o qual engloba as funções de logística. Uma pequena parcela, 5% possui a função de Supply Chain subordinada à área de Logística.

tratamento supply chain e logistica - pesquisa supply chain

Quanto ao modelo de gestão, 42% das empresas se consideram fortemente funcionais, com um poder elevado dos departamentos. 38% das empresas consideram que possuem um modelo balanceado entre uma estrutura com poderes departamentais e uma gestão com poderes distribuídos por processos end-to-end. Finalmente, 20% das empresas se consideram como fortemente orientada por processos. Em nível tático, o poder de decisão está mais concentrado em processos chaves do que nas estruturas departamentais.

Uma das questões mais relevantes desta nova edição da pesquisa se refere às mudanças de responsabilidade da área de Supply Chain. Comparado ao ano de 2007, para 68% das empresas respondentes, a área de Supply Chain recebeu uma grande quantidade de novas responsabilidades. Já para 32% das empresas respondentes, houve ou não pequenas mudanças de responsabilidades na área de Supply Chain.

responsabilidades da area de supply chain - pesquisa supply chain

Quanto aos Indicadores mais relevantes, identificou-se uma forte similaridade entre os indicadores de primeiro nível preconizados pelo SCOR (Supply Chain Operations Reference Model) e os elencados pelas empresas como mais importantes. Os quatro mais mencionados foram custo de estoque (81%), Custo Logístico (68%), Velocidade de atendimento (60%) e confiabilidade (43%). “Nota-se que existe uma crescente preocupação entre o balanço dessas quatro categorias de indicadores, o que indica um elevado grau de maturidade e entendimento das variáveis e trade-offs existentes nas decisões e na gestão de uma cadeia de suprimentos”, complementa Panitz.

Os demais indicadores mencionados foram: Margem (41%), Custo Industrial (33%), Flexibilidade de atendimento (25%), Acurácia dos Planos (25%), Retorno sobre ativos (19%) e outros (12%).

principais indicadores de supply chain - pesquisa supply chain

Em relação às iniciativas a serem conduzidas pela área nos próximos dois anos, quatro grupos receberam destaque: redução de estoques (71%), melhoria da logística (64%), melhoria do atendimento ao cliente (60%) e melhorar o processo de previsão de demanda (58%), o que mostra uma coerência entre os objetivos traçados como prioritários para a área, pois os quatro grupos de iniciativas citados possuem uma forte correlação entre si.

“Esse resultado denota a crescente importância estratégica e tática da área de Supply Chain como fator de competitividade e resultado”, finaliza Panitz.

Fonte: INBRASC

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • Evandro Daderio Frag

    Infelizmente no Brasil, ainda, ao contrário dos Estados Unidos e Europa, a estrutura e a liderança de Supply Chain estão subordinadaas à area de Operações, que em geral se configura em uma diretoria industrial, e que, em geral, enxerga Supply Chain de maneira secundária e marginal, sem a real importância estratégica que ela tem para o negócio como um todo. Como ainda não atingimos o mesmo nível de competitividade de empresas americanas ou européias em seus países de origem, só o tempo e a consequente maturidade das lideranças empresariais no Brasil irão mudar esse panorama, ainda árido para Supply Chain.

  • É um modelo de gestão tão somente utilizado por grandes empresas,mas com o crescimento é possível que outras menores possam implantar o modelo,e entrar na competitividade para igualdade social.

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