Tendências da logística e supply chain para 2010

sucessoartigo de autoria de Leandro Callegari Coelho, publicado no portal INBRASC.

Mais um ano chegou ao fim, e depois de olhar para trás e avaliar tudo o que passou, é hora de olhar para o futuro, traçar novas estratégias, e ver o que o mercado nos traz. Ao longo deste ano, compartilhei algumas ideias e sugestões de melhorias através de matérias como esta, aqui no INBRASC. Abordamos, desde janeiro, questões como flexibilidade logística, previsão de demanda, controle de estoques, agregação de valor, como melhorar o lucro, questões ambientais e indicadores de desempenho.

Agora, olhando para frente, tentarei identificar quais serão as tendências do setor logístico e de supply chain para os próximos anos.

Essa análise será feita usando três pilares: (1) consciência; (2) os investimentos que já foram feitos, e; (3) o desafio de se morar em grandes cidades.

O primeiro pilar diz respeito à consciência ecológica e social, a preocupação com o futuro do local onde vivemos: seja nossa rua, a comunidade ou o planeta. Os inúmeros debates mundiais que acontecem nesse tema são prova de que o assunto veio para ficar, e em breve todos os setores estarão engajados: seja por consciência própria, seja por pressão da comunidade e dos consumidores. Assim, a logística precisa se preocupar em conseguir melhores processos com a logística reversa, maior efetividade dos sistemas de roteamento a fim de diminuir os custos de transportes, e maior preparo dos sistemas produtivos para evitar desperdícios.

O segundo pilar tem uma visão de longo prazo: se considerarmos os investimentos feitos nos últimos anos – portos, rodovias, início dos estudos sérios para o trem-bala, e que cresceram com as obras do PAC, vemos que umeio ambientema boa parcela do PIB do Brasil está dedicada aos investimentos em infraestrutura logística. Proporcionalmente, o investimento nesta área em relação ao PIB é maior no Brasil do que nos EUA. Em números absolutos evidentemente o Brasil investe muito menos, mas percentualmente nossos investimentos são maiores, buscando melhorar a sofrida malha logística do país. Devemos esperar, portanto, melhores índices de eficiência em transportes (melhor aproveitamento do transporte marítimo e de cabotagem, que é essencial para o desenvolvimento do Brasil) e processos industriais um pouco mais avançados, graças aos investimentos (privados) na indústria nacional.

Finalmente, quem vive em grandes cidades conhece muito bem o problema do trânsito urbano. Acredito que mobilidade será um tema de intensas pesquisas, embora para colocar em prática deva ser um processo mais demorado. Existem projetos que tentam limitar o acesso de caminhões nos grandes centros urbanos, bem como tornar mais eficaz o transporte de diversas mercadorias até a periferia das cidades, para depois transportá-las de maneira inteligente para dentro da cidade. O desenvolvimento de plataformas logísticas urbanas é uma alternativa para aperfeiçoar a distribuição e a reorganização logística em torno das grandes cidades, contribuindo sensivelmente para o trânsito em áreas metropolitanas.

É evidente, se olharmos novamente para o passado, que novos conceitos, pesquisas e práticas de mercado emergem de acordo com as necessidades das empresas e dos clientes. A própria logística cresceu a partir da busca por maior competitividade e integração. Por isto, minha aposta para o futuro é na preocupação com o meio ambiente e com o trânsito nas grandes cidades, e um crescimento (e competitividade) ainda maior da eficiência dos processos atuais.

Em 2010, boa sorte e bom trabalho!

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).