Tendências em Gestão de Cadeia de Suprimentos

Há pouco tempo vimos um panorama de tendências da logística para 2010, que você pode conferir novamente lendo as opiniões de diferentes profissionais e pesquisadores: a minha, a do colaborador Neimar Follmann, a do Luiz Paiva, e a do Rogério Barrionuevo.

Vimos também duas excelentes matérias de conceitução de logística e de supply chain management além do Glossário Descomplicado.

Agora chegou a hora de vermos um pouco sobre as tendências da gestão de cadeias de suprimentos.

Por Aline Regina Santos e João Eugênio Cavallazzi

A implementação do conceito de SCM é bastante complexa e demorada, e jamais seria exequível sem o apoio das TI. O SCM pode ser implementado utilizando um pacote genérico de ERP, integrando os vários processos e atividades internas e externas à empresa, contudo o planejamento e otimização da cadeia, no ERP fica muito aquém das expectativas. Para diminuir  esta deficiência existente nos sistemas ERP, surgiram então as aplicações APS ouAdvanced Planning & Schedulling System, a denominação genérica para uma geração de softwares de otimização de toda a cadeia de fornecimento, que envolve desde o planejamento da procura, produção e distribuição, possibilitando conectar as decisões logísticas e geri-las de maneira integrada.

Cresce nas empresas a percepção de que os desafios futuros da SCM estarão relacionados às pressões crescentes para entregar melhores produtos a custos mais baixos, com maior velocidade e em mercados customizados. As principais características de mercado que as empresas estão enfrentando no novo ambiente globalizado são:

  • Competição entre cadeias de suprimentos;
  • Pressões crescentes por melhores produtos;
  • Redução de custos;
  • Maior velocidade;
  • Produção puxada pela demanda;
  • Fluxo contínuo e suave da produção;
  • Mercados globais;
  • Serviços customizados;
  • Comprometimento instantâneo com diferentes padrões;
  • Lucros mais agressivos;
  • Operação 24×7.

Cada vez mais o sucesso da organização individual parece estar relacionado a sua habilidade em competir desempenhando diferentes papéis nas cadeias de suprimentos dinâmicas e virtualmente conectadas em nível global, e não pela sua atuação como organização isolada.

Na ótica da colaboração em redes de relacionamento, o desafio é fazer com que todos os membros da cadeia, incluindo fornecedores, produtores, distribuidores e consumidores, hajam como se fizesse parte de uma mesma empresa. Por conseguinte, a comunicação contínua entre os diferentes parceiros em cada ponto da cadeia é fundamental para permitir um fluxo suave e contínuo de produção. A empresa de sucesso terá que mover-se em direção ao modelo de redes estratégicas.

Neste contexto o desafio de TI a partir de então é suportar a lógica de relacionamentos sincronizados e interativos, que envolvam uma multiplicidade de atores no processo dinâmico de criar valor, ancorado em uma plataforma de padrão aberto e flexível. Na visão da gestão ótima da cadeia de suprimentos os sistemas de informações possibilitarão às organizações responderem instantaneamente aos movimentos do consumidor final, fazendo com a demanda derivada seja acompanhada por um prceosso de informação derivada.

Com o aumento do volume de informação trocada entre as empresas, cresce o risco de erro e multiplicam-se os ciclos de tempo, dada a lógica de ligações estáticas e rígidas que caracterizam a cadeia de suprimentos tradicional. Surge então desta limitação a necessidade de uma cadeia eletrônica de suprimentos – e-suplly-chain. Nesta, a proximidade dos esforços colaborativos proporcionados pela TI e Internet em particular permite uma resposta quase em tempo real às mudanças contínuas nos mercados consumidores.

Neste sentido pode-se afirmar que o papel de TI neste novo contexto será de:

  • Habilitar alianças colaborativas entre empresas.
  • Proporcionar arquitetura tecnológica adequada ao novo ambiente: agilidade, flexibilidade, tempestividade, adaptabilidade e coordenação à rede.
  • Habilitar alta conectividade promovendo relacionamentos sincronizados e altamente interativos (real-time).
  • Minimizar os riscos com eventos inesperados (contingências).
  • Possibilitar respostas instantâneas aos movimentos dos consumidores/fornecedores (demanda/oferta).

O que é preciso é uma completa visibilidade da informação ao longo da cadeia. Uma rede completamente interconectada na qual os clientes podem compartilhar com seus fornecedores e estes com seus fornecedores os processos de negócio, em uma rede que pode-se chamar de NBP (Network Business Processes).

Estas redes estratégicas de negócio quando baseadas em transações colaborativas pela Internet são chamadas Rede Estratégica Virtual, ou seja,  conjunto de relacionamentos de uma empresa com outras organizações, sejam eles fornecedores, clientes, concorrentes ou outras entidades, de mesma ou diferentes indústrias e países…de significância estratégica para as empresas envolvidas, incluindo alianças estratégicas.

Os benefícios destas redes estratégicas na gestão da SC podem ser resumidos como:

  • Compartilhar informações de vendas e de planejamento com os fornecedores;
  • Facilitar a implementação de programas conjuntos que aumentem a produtividade (just in time, gestão on-line de estoques);
  • Aumentar a velocidade lançamento de novos produtos através da colaboração on-line;
  • Comunicar mudanças nos produtos, promoções e níveis de estoques;
  • Desenvolver novos canais de vendas em nível global;
  • Aumentar a satisfação do consumidor pela oferta dos serviços on-line, Automatizar as iniciativas com os fornecedores na gestão da entrega do pedido ao cliente.

Quatro são os passos para se construir com sucesso uma Rede Estratégica Virtual:

  • Construir uma infra-estrutura de comunicação, sistemas e processos entre as organizações parceiras;
  • Sincronizar continuamente a demanda capturada no ponto de venda com as decisões de ofertas ao longo de toda a SC.
  • Gerenciar a logística global da rede de modo a assegurar que o produto esteja sempre em movimento ao longo de todos os nós.
  • Implementar medidas de performance globais, que levem a rede à satisfação do consumidor final da cadeia de suprimentos.

Para o estabelecimentos de Redes Estratégicas são críticos os seguintes fatores:

  • Governança baseada na dimensão confiança.
  • Recursos internos são definidos a partir das necessidades do cliente, ampliados por meio da colaboração com parceiros (diferente da empresa verticalizada).
  • A Internet é o pilar central: surgimento de processos flexíveis, compartilhados e interativos de produção e gestão (contribuindo para o desmembramento da cadeia de valor).
  • Cultura organizacional orientada tecnologicamente.
  • Compatibilidade entre os recursos de TI e o modelo virtual (padrões abertos).
  • Nível de contribuição dos recursos obtidos para a competitividade da empresa

Concluindo, podemos afirmar que as tendências para os próximos anos, tendo em vista a SCM são:

  • Planejamento e previsão mais acurada da demanda é um dos objetivos maiores das empresas e estas precisam esta comprometidas com tal processo sob a perspectiva de recursos e tecnologia.
  • Nenhuma área estará sendo mais afetada pela Globalização do que a SC. A tendência é buscar um desenho da SC que possibilite maior  flexibilidade em processos e tecnologia para este novo ambiente de negócio.
  • A competição acirrada, pressão de preços e comoditização dos produtos fazem as empresas a procurar formas de reduzir seus custos, tornar suas SC mais eficientes e prover serviços de valor agregado para seus clientes.
  • A terceirização da operação completa ou de componentes da SC tenderá a aumentar. Mas deve ser acompanhada por medidas de controle,  monitoramento e tecnologia para garantir uma coordenação maior possível. A alta conectividade e colaboração entre parceiros da cadeia deverá ser priorizada.
  • Ciclos de vida de produtos cada vez mais curtos e complexos impulsionarão as empresas a implementar processos e tecnologia para ajudá-los a compartilhar operações, componentes ou materiais com outros produtos, reduzindo custos de compra de materiais chaves, de desenvolvimento, riscos de obsolescência e de investimentos em infra-estrutura.
  • O nível de colaboração entre empresas da Cadeia de Suprimento continuará sendo uma prioridade para possibilitar maior visibilidade garantindo melhores decisões e reduzir custos na cadeia. O S&OP incluirá como participantes regulares vários parceiros  a jusante e à montante da cadeia para melhor atendimento da demanda, o plano de negócios e a estratégia da empresa.


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Escrito Por : Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

em : sexta-feira, 5 fev, 2010


  • Conrado

    Leandro, excelente material.

    Também gostaria de aprofundar em assuntos relacionados às tendências da Logística Outbound no Brasil.Pode me indicar algumas fontes ou pessoas ?

    Grato

    Conrado.

    • http://www.logisticadescomplicada.com/sobre/ Logística Des

      Conrado,
      Provavelmente na semana que vem incluirei aqui no site um excelente artigo (longo, mas muito completo) sobre canais de distribuição.
      Em breve veremos também materiais sobre a logística de classe mundial, aquilo que há de melhor na gestão logística.

      Na mesma linha, você já leu o artigo O Futuro do Transporte de Cargas em um Mundo Plano ? Acho que vale a pena!

      Um abraço
      Leandro

  • Billy Johw – FATEC I

    Hoje torna-se interessante meu estoque ficar no meu fornecedor. Porém, muitos fatores devem ser levados em conta. Como entrega, disponibilidade e agilidade. Sem falar que depende de uma estrutura humana eficaz para todo o sistema funcionar devidamente correto. Tenho trabalhado assim ultimamente no meu comércio, mesmo sendo micro-empresário vejo a dificuldade me manter uma cadeia de suprimentos competitiva. Imagina-se uma grande empresa os desafios que enfrenta.

    Parabéns pelo artigo Leandro.

  • Reinaldo Galvani

    Gostaria de mais Informações sobre a Gestão de Processo Logisticos