Trem-bala pode não ficar pronto para Copa nem Jogos Olímpicos

trem de alta velocidade no BrasilFoi apresentado hoje (13 de julho) o edital para o trem bala brasileiro, que finalmente ligará o centro do Rio de Janeiro ao de São Paulo. As empresas interessadas na mega construção tem até novembro para enviar seus documentos e propostas e a decisão está marcada para dezembro deste ano.

Lamentavelmente, o prazo para finalizar a obra é 2017, um ano depois dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e três anos depois da Copa do Mundo, que poderia beneficiar-se de tal obra. Mais uma vez, o estado peca no planejamento e investimentos importantes não são feitos a tempo. E se o desenrolar da história for como de muitas outras obras importantes, corremos o risco de não ver o Trem de Alta Velocidade (TAV) finalizado nem mesmo em 2017.

Já vimos aqui no logística Descomplicada que o orçamento inicial é de R$ 34 bilhões e que espera-se que pelo menos uma parte do trajeto esteja disponível para a Copa do Mundo. Agora temos mais informações quanto aos custos e investimentos.

O governo federal já gastou em torno de US$ 10 milhões em planejamento e consultorias e irá oferecer um financiamento de até R$ 19 bilhões através de seus bancos de investimento (o BNDES neste caso) ao vencedor, provavelmente um grupo de um dos oito países interessados nesta obra: Coreia, Japão, França, Alemanha, China, Canadá, Espanha e Itália.

A empresa vencedora será aquela que oferecer a menor tarifa por quilômetro, limitada a R$ 0,49 / km na classe econômica.

Espera-se que a geração de empregos locais atinja 12 mil postos durante a construção e 30 mil empregos devem ser criados a médio prazo, fruto da obra de integração.

De acordo com o edital, que estará disponível para download amanhã, o trem-bala terá pontos obrigatórios no centro do Rio de Janeiro, no aeroporto do Galeão (RJ), em Aparecida (SP), em Guarulhos (SP), no centro de São Paulo, no aeroporto de Viracopos (Campinas) e no centro de Campinas. Outras estações podem ser criadas pelo investidor que ganhar a licitação. É estranho que o edital não coloque como obrigatória uma parada no aeroporto de Congonhas (que fica no centro de São Paulo), o que facilitaria a integração aérea, outro problema sério de infra-estrutura no Brasil. O projeto do trem de alta velocidade ainda prevê outras duas estações consideradas opcionais, em Jundiaí (SP) e em Resende (RJ).

Dependendo do traçado da obra, a distância entre os dois extremos (entre Campinas e o aeroporto do Galeão, no Rio) será de aproximadamente 500 km, que ao custo de R$ 0,49 / km dará uma tarifa máxima de aproximadamente R$ 250,00 para a classe econômica. Hoje é possível encontrar vôos diretos a partir de R$ 100,00 para o mesmo trajeto.

Vamos esperar que o serviço oferecido seja de qualidade e com freqüência adequada, mas também que a obra não sofra atrasos e embargos desnecessários por parte do governo, para não piorar a Copa do Mundo de 2014 (que já começou mal).

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).

  • ginalva

    Realmente é um grande projeto,e muda a visão do Brasil,complicado vai ser a tarifa, que com as promoções aéreas fica vantajoso ír de avião.Mas devemos esperar e torcer para que tudo dê certo.