Um novo meio de transporte?

Um novo meio de transporte?

Nosso sistema de transportes continua a nos tirar o sono. E nem é bom mesmo dormir no ponto, pois com os problemas que temos em nossa infraestrutura carente de modernizações e, pior que isso, precisando de reparos para ofertar o básico em serviços às atividades operacionais, podemos ser surpreendidos num piscar de olhos. Presos a um sistema que nos rouba a energia com a qual desenvolveríamos novas estratégias, gastamos com paliativos e, assim, nos é tirado o tempo para vivermos os novos tempos. Até duvidamos de algumas inovações devido a tantos problemas enfrentados que separam nossa realidade entre o que temos, o que queremos e o que é possível que tenhamos em soluções verdadeiramente práticas.

droneHá pouco mais de dez anos não imaginávamos que nossos celulares estivessem conectados à internet e, através deles, pudéssemos comprar, vender ou trocar mercadorias com um simples toque na tela. Hoje temos a TV que nos permite a conexão com o mundo e assistir aos filmes que antes esperávamos um ano para a disponibilização em locadoras. Aliás, muitos que desconheciam ou ignoraram a velocidade dos tempos estão em crise ou faliram. E essa velocidade continuará surpreendendo muitos mercados que não se preparam para o avanço tecnológico que, em muitos países, é realidade bem antes de chegar a nós brasileiros.

Há cerca de dois anos surgiu uma ideia ambiciosa de transportar produtos por meio de veículo aéreo não tripulado (o VANT), mais conhecido como “drone”. O laboratório tecnológico do Google testa o novo sistema na Austrália. O experimento consiste em distribuir produtos em regiões cercadas por fazendas cujas distâncias inviabilizam o custo de um sistema de entregas com carros e até com motos. São aeronaves de voo misto que decolam na vertical como um helicóptero e voam como um avião. Realizam a entrega por meio de um cabo com um sensor na ponta que libera o produto ao tocar o chão sem a necessidade de pouso. Os testes estão sendo feitos com a entrega de chocolates, ração para cães e outros produtos.

A Amazon já havia introduzido a ideia, mas como foi observado, não passou de uma campanha de marketing. O Google, diferentemente, já possui uma esquadrilha desses aparelhos e promete revolucionar o setor de entregas no mundo. Porém, para isso, ainda há um longo caminho, pois há de se criar um complexo de rotas, uma legislação específica para resguardar a privacidade das pessoas, os cuidados com a segurança e regulamentar a atividade aérea para que coexista com os sistemas de transportes já conhecidos.

Os drones hoje já são bem utilizados em monitoramentos na agricultura, em tomadas de imagens para filmes e programas de TV e em várias outras condições em que há dificuldades para o acesso; sem falar das guerras com suas atividades de espionagem e até de ataques planejados. Onde antes exigia um sobrevoo tripulado, agora são os drones que alcançam os objetivos a um custo baixíssimo.

Outra parte importante do projeto é a ajuda humanitária para vítimas isoladas em decorrência de desastres naturais ou em caso de guerras. O transporte de mantimentos e medicamentos é muito complicado e envolve muitos perigos para uma tripulação no atendimento convencional.

Imaginarmos nossas encomendas, mesmo pequenas, mas com uma fluidez capaz de ser coberta por um sistema que desafogue um pouco as nossas vias usuais, com certeza traria um ganho substancial ao ponto de não considerarmos os drones como um simples meio de transporte.

Se a logística no Brasil fosse respeitada como deveria, talvez não tivéssemos que esperar o tempo responder se uma ideia como essa seria viável ou não para nós. Se os investimentos em transporte fossem, pelo menos, próximos do que necessitamos, provavelmente estaríamos desenvolvendo outros meios para desafogar nossa vida, pois temos um profundo conhecimento dos nossos problemas – primeiro passo para a solução – mas, se ficarmos correndo atrás, talvez tenhamos que comparar essa ideia daqui a dez anos, como fizemos com o celular, com a TV e tantas outras evoluções. Por ora, só fica uma pergunta: será?

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Foi Coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.

  • Vagner Castro

    Em um país onde tudo é via transporte terrestre, por que é mais lucrativo, isso ai vai chegar por aqui 20 anos depois.

  • luiz Carlos

    As tecnologias sempre serão bem vindas para todo o ramo de logística!

  • É fato que existem inúmeras tecnologias inovadoras que podem ser aplicadas ao complexo mundo da logística, mas alguns entraves surgem em maior número que as soluções, a falta de uma legislação e de uma agência reguladora única para o setor é o principal deles. Muito se poderia fazer em pró do setor se a existência deste órgão e destas leis específicas não fossem ainda uma utopia. A criação destes sim, será uma revolução.