A alta do dólar e o impacto no bolso dos brasileiros

A alta do dólar e o impacto no bolso dos brasileiros

Apesar de ter uma economia estável com o Real relativamente controlado, nossa economia observa fortes efeitos das mudanças na cotação da moeda americana. A primeira consequência da alta do dólar sentida pelos brasileiros está nos preços das viagens e no valor pago pelos eletroeletrônicos.

dolarO dólar estava oscilando na casa dos R$ 1,60 a 1,80 desde antes de 2010 e manteve esse patamar até aproximadamente maio de 2012. Nesse ínterim, ele teve picos que variavam de R$ 1,53 a 1,84, mas sempre se mantendo na faixa de preço dos R$ 1,60 a 1,80.

A partir de maio de 2012 o dólar inicia uma corrida de alta, estando cotado em junho de 2013 em R$ 2,124. Vários fatores contribuíram para essa alta do dólar, como a divulgação do fim do estímulo do Federal Reserve – o banco central dos Estados Unidos, que injeta mensalmente US$ 85 bilhões no mercado, bem como o discurso do Ministro da Fazenda do Brasil dizendo que o câmbio não seria um instrumento de controle da inflação, e que a alta do dólar seria positiva para as exportações brasileiras. Na semana seguinte, o diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Mendes, declarou que o país teria de conviver com uma moeda mais fraca (no caso, o Real), e fez o dólar saltar para R$ 2,15.

Uma medida tomada pelo governo para frear a alta do dólar foi a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para zero referente ao ingresso de capital estrangeiro em aplicações de renda fixa, o que deve trazer mais dólares para o país.

Em maio de 2013, a moeda americana teve uma valorização de 6,8%. Apesar da excelente valorização, a aplicação em dólar deve ser vista com cautela, pois em abril de 2013, por exemplo, houve apenas 0,6% de alta.

Com a alta do dólar, logo os brasileiros começarão a sentir no bolso a alta dos produtos.

A alta do dólar já chegou para os pacotes de viagens internacionais, que são sempre os primeiros afetados. Os eletroeletrônicos importados sofrem aumentos imediatamente, mesmo os aparelhos fabricados no Brasil,  pois os componentes são importados.

Em algumas semanas, os fabricantes de alimentos e os varejistas devem repassar a variação de preços em alimentos importados ou cuja matéria prima vem de outros países. A alta do dólar torna a exportação mais vantajosa, o que reduz a oferta interna.

Em 30 dias, os itens de limpeza podem sofrer aumento, já que boa parte dos insumos de sua fabricação é importada.

Entre 30 e 60 dias os eletrodomésticos devem sofrer aumento, mesmo sabendo-se que a maioria dos eletrodomésticos é fabricada no Brasil, boa parte dos componentes vem do exterior.

Em seis meses as roupas devem sofrer aumento. Agora no inverno não, porque os produtos da estação já foram comprados e ficaram fora da alta do dólar, mas as próximas coleções deverão vir com novos preços.

E assim temos que conviver e nos adaptar às mudanças de sabor da política internacional, que vimos, tem um impacto imediato na cotação do dólar e no bolso dos brasileiros.

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Ludmar Rodrigues Coelho é administrador de empresas e possui pós-graduações em MBA Executivo em gestão empresarial pela UFSC e MBA Executivo em Negócios Financeiros pela FGV-RJ.