Crise educacional individual

Crise educacional individual

Vivemos uma crise na educação do nosso Brasil. Mas, acima de tudo, vivemos o que chamo de “crise educacional individual” – O que é bem mais grave –. Alguns até podem pensar que essa última se justifica pela primeira; colocando por terra aquelas frases: “Você faz a diferença” e “Se cada um fizer sua parte…” Ou ainda ficar sem explicação quando se vê “pessoas bem educadas” aplicando a chamada “lei de Gerson” (aquela que tem como objetivo a vantagem sobre tudo e todos e que, de forma alguma, foi ensinada nas escolas).

crise na educação no BrasilMuitos países investem cerca de 10% do PIB (Produto Interno Bruto que é a soma de toda a riqueza produzida naquele país) em educação. O Brasil investe menos da metade disso e ainda condiciona a área a severos cortes anuais a depender de sua Planilha Orçamentária. Ou seja, a educação fica no final da fila aguardando o que sobrar para tentar fazer o “milagre da multiplicação”. Falarei dessa crise coletiva em outro artigo. (Leia Crise educacional coletiva)

Contudo, isso não explica a situação em que vivemos no momento. Não é necessária a personificação da educação para nos mostrar que precisamos nos disciplinar à busca do conhecimento. A necessidade em si já é o suficiente. Quem já não notou que sem uma boa pasta de conhecimentos não se consegue alcançar nada? Quem já não notou que nosso trânsito, nosso trato com as pessoas e até nossas escolas precisam de uma melhor educação? É o individual que deve estimular o coletivo. Isso está em cada um. Chame como quiser: educação individual, respeito, valorização da vida, sabedoria…

Desde minha infância, fui estimulado a reclamar dos governos por isso ou por aquilo. Os governos não mudaram em nada de lá para cá. Talvez também não mudem no amadurecimento dessa juventude que me lê agora. E eu ainda tinha várias coisas que me justificavam e me “eximiam” de qualquer culpa […] As dificuldades eram bem maiores. Passei por um período em que meu pai não tinha dinheiro para comprar um litro de leite e atravessei outro em que ele tinha o dinheiro e faltava o leite, a carne e o pão no comércio. Várias crianças, como eu, passaram por essa fase sem experimentar iogurte, maçã ou outro desses “artigos de luxo”. O acesso aos livros era tão difícil quanto ouvir alguém que não culpasse o governo por seus infortúnios. A internet só surgiu anos depois, e nem se imaginava o que era aquilo!

Hoje, quase tudo está diferente. Já não precisamos ir ao caixa de um banco para pagar uma simples conta de luz e não usamos de sinceridade para desejar um “bom dia” ao outro – Parece que não foi só o caixa que ficou automático –. As dificuldades cotidianas enterram o “por favor” e o “obrigado”. A correria no trânsito destrói as gentilezas, mesmo que o “tempo ganho” seja só para não fazer nada. A concorrência no trabalho é tamanha a ponto de deixarmos de ser solidários. A competição não precisa apagar o que temos de melhor, pois são com esses valores que chegamos onde queremos.

A educação individual vem com 50% de mérito familiar e 100% de mérito próprio. Isso mesmo! Não errei em minhas contas. A educação é capaz dessa mágica. Já vi pessoas simples e sem letras com uma educação individual invejável a qualquer erudito. Um indivíduo que opta pela educação transforma sua família. Isso não tem nada a ver com questão financeira. Família rica não significa solidez na estrutura educacional. Até proporciona os melhores colégios, mas não garante que o indivíduo abrace essas metas. Quantos exemplos você já viu?

Outro dia, fui xingado por ter respeitado a faixa de pedestres. Parece que estamos invertendo tudo. O motorista do carro atrás passou alucinado, quase atropelando as pessoas que usavam a faixa. Dez quilômetros depois, sem correria, o alcancei e ele aguardava o sinal abrir à esquerda e, seguindo em frente, passei por ele e fiquei pensando nas atitudes que nos pioram como pessoas e ainda podem nos trazer sérias consequências, e prejudicar outros. Será que compensa jogar fora o respeito pelas pessoas quando tanto o queremos para nossas vidas?

Mesmo sendo uma grande necessidade, a educação é uma OPÇÃO. Isso é fantástico! Isso já coloca todos diante de uma escolha. O restante será o resultado de suas escolhas. Cada indivíduo escolhe seu caminho e é responsabilizado por isso. O contra-senso aqui é que todos querem sucesso e felicidade, mas não percebem que o bom caminho da educação leva a esses objetivos.

Os trabalhos escravo e infantil ainda existem. São muitos os desvios que a vida apresenta àqueles que são privados de oportunidades. Mas isso vem mudando muito e rápido. O acesso à informação vem estreitando esse caminho apresentando alternativas para aqueles que dizem “sim” à educação. Até concordo que muitos nascem totalmente privados de uma educação de qualidade, mas muitos escritores famosos, grandes personalidades, pessoas de sucesso não aceitaram esse “destino”. A vida sempre nos impõe condições, mas são nossas as decisões.

Bom dia, por favor, obrigado e atos gentis (mesmo com aqueles que não multiplicam) faz muito bem e faz diferença. Não podemos alicerçar nossas condutas baseados na indiferença e na reciprocidade. A educação individual é e tem que ser gratuita. Tem que ser praticada. Ela abre portas e entusiasma mesmo aquele que já percebeu o quanto ela enfraquece envolvida na correria, falta de solidariedade e insensibilidade nossa de cada dia. Ela nos ensina que Deus fez o mundo para todos e não um mundo para cada. Que bom que muitos sabem disso! Mas há outros que se consideram donos do mundo e outros… Deus.

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Foi Coordenador de Logística na Têxtil COTECE S.A.; Responsável pela Distribuição Logística Norte/Nordeste da Ipiranga Asfaltos; hoje é Consultor na CAP Logística em Asfaltos e Pavimentos (em SP) que, dentre outras atividades, faz pesquisa mercadológica e mapeamento de demanda no Nordeste para grande empresa do ramo; ministra palestras sobre Logística e Mercado de Trabalho.