Fila no Porto de Santos para exportação de açúcar

fila de navios no Porto de SantosA exportação recorde de açúcar pelo porto de Santos, no litoral paulista, o maior do país, causou um estrangulamento das operações em terra e no mar. Os caminhões do interior carregados com açúcar em sacos ou a granel (solto na caçamba) demoram pelo menos o triplo do que deveriam para descarregar suas cargas nos navios.

Os caminhões deveriam fazer a operação toda em três a quatro horas, mas chegam a bater em 12 horas ou até 36 horas em casos extremos.

O resultado foi uma fila de 116 navios ancorados em frente às praias de Santos, segundo a Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), estatal que administra o terminal.

Isto mostra o lado positivo de que o Brasil está conseguindo exportar mais, gerando faturamento extra aos produtores. Por outro lado, revela uma realidade em que a logística brasileira está sucateada: transportar produtos de baixo valor agregado por longas distâncias por caminhões não é o ideal. Este tipo de transporte pode ser feito de maneira mais segura, barata e eficiente usando trilhos, que infelizmente não são realidade no Brasil. Os caminhões poluem mais, superlotam as estradas, aumentando os custos e o tempo de percurso para outros motoristas ou outras cargas que não são recomendadas para os trens.

Além do transporte do interior até o litoral ser ineficiente, mostra como o maior porto do país opera muito próximo à capacidade, sem folga operacional para lidar com uma demanda extra como neste caso.

Navios parados por ali fazem parte da paisagem, mas não nessa grandeza. O normal seriam 10 a 15 embarcações. Até das praias da vizinha cidade do Guarujá, era possível ver o congestionamento de navios, o que é mais raro.

O prejuízo de um navio parado é grande. Por dia, o custo vai de US$ 20 mil (navios para transporte de açúcar em sacos) até US$ 90 mil, nas grandes embarcações que levam o produto a granel, estima José Roque, presidente do sindicato das agências de navegação (Sindamar), que representam os donos dos navios.

Empresários e autoridades da área portuária têm diferentes explicações para a lentidão: excesso de açúcar, muita chuva, falta de infraestrutura viária, planejamento errado e escassez de trabalhadores. Para um especialista, há um apagão no porto.

A Codesp diz que o embarque de açúcar está sendo recorde neste ano porque outros países produtores não tiveram uma safra boa, e o mundo recorreu ao Brasil.

“As usinas de açúcar estão produzindo rapidamente. Houve uma concentração de navios num período muito curto”, diz Paulino Moreira da Silva Vicente, diretor de Infraestrutura da Codesp.

No ano passado, foram exportados por Santos 16,9 milhões de toneladas de açúcar. A estimativa para este ano é de 21,5 milhões, um aumento de 27%.

Além disso, Vicente diz que as chuvas foram determinantes. O açúcar, solto ou em saco, não pode se molhar. Com qualquer garoa, os porões dos navios são fechados e o embarque, interrompido.

Para ele, “o porto de Santos é o melhor do mundo para exportações de açúcar”, e a situação estará regularizada nos próximos 15 a 20 dias.

Na última sexta-feira (27/8), havia 96 navios ancorados em frente à praia de Santos, sendo que 40 eram para embarque de açúcar. Todos esperavam uma vaga para atracar no cais e começar suas operações. O porto tem espaço para atracar 11 navios de açúcar por vez.

Fonte: adaptado de UOL Economia

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).