Logística e o agenciamento de cargas

Logística e o agenciamento de cargas

O setor de agenciamento de carga tem evoluído muito, especialmente no que tange à ampliação de sua gama de serviços e das transformações que as empresas agenciadoras sofrem e estão sofrendo ao longo dos anos.

Os agentes de cargas vêm se destacando na montagem de grandes projetos logísticos. São capazes de unir prestadores (modais, profissionais, infraestrutura, etc.) e oferecer mudanças que, de fato, podem transformar a vida das empresas.

logística e o agenciamento de cargasContudo, além de preocuparem-se em montar um excelente projeto, no ato da execução, tudo aquilo que foi desenhado e calculado deverá sair do papel da mesma forma com a qual fora projetado. Ou seja, deverão proporcionar redução de custos e tempo, tornando o produto do cliente cada vez mais competitivo.

Do outro lado estão os clientes, que estão fixos na idéia de redução de custos, mensurando somente a questão financeira, através de processos licitatórios que, na maioria das vezes, não colocam a qualidade em questão. Tais processos licitatórios, que só medem valores, vêm se demonstrando frágeis, trazendo prejuízos às empresas, porque muitos dos vencedores dessas licitações não conseguem realizar os serviços que se propuseram a prestar, causando prejuízos aos clientes.

Na grande maioria das vezes, os agenciadores de carga não possuem caminhões, navios, aviões, terminais portuários e retroportuários. Mesmo não possuindo parte ou todos os elementos necessários, não significa que sejam incapazes de gerenciar um grande projeto, muito pelo contrário, podem e fazem grandes e excelentes trabalhos. Contudo, também deverá ser levado em consideração as empresas parceiras desses agenciadores, pois, inevitavelmente, a execução da operação e o fluxo de informações passarão por essas empresas parceiras.

Não basta ganhar uma concorrência ou atingir o valor solicitado pelo cliente. O que importa é realizar o trabalho com exatidão, de forma financeiramente saudável para ambos. O que não pode, é a montagem de um projeto com empresas parceiras que sejam ineficientes, somente para atingir um target de valor.

Uma empresa que investe em qualidade tem um limite de baixa precificação. Uma empresa que oferece estrutura, pessoal treinado, que possui licenças para transportar e movimentar diversas cargas, que investiram pesado em qualificação, não tem condições de competir em valores com concorrentes que não realizaram os mesmos investimentos.

Vale ressaltar que o agenciador de cargas tem responsabilidades pelas falhas de seus parceiros e, por isso, devem prestar muita atenção às empresas que colocam para executar um projeto de um cliente. Do contrário, dependendo do contrato ou da proposta, fatos e atos poderão ser resolvidos em perdas e danos.

Algumas situações, que de fato acontecem: chegar às instalações de um cliente um veículo sem condições de viagem; não se localizar um caminhão; veículos chegando com atraso; prometer janela em um trem e não ser possível cumprir; escolher um armador, ou uma cia. aérea que não opere com exatidão; escolher um terminal ineficiente que perca embarque de clientes, que cause avarias, que atrasem suas operações.

A logística contemporânea assemelha-se a uma máquina, cujo funcionamento depende de cada interveniente escolhido. Se há um atraso na chegada do caminhão numa fábrica para retirar uma carga, por exemplo, toda sistemática fica comprometida, seja na operação propriamente dita, seja na produção e expedição de uma empresa. Em outras palavras, nada pode falhar, todas as etapas devem ser cumpridas a risca. Por isso é importante oferecer aquilo que se consegue cumprir.

Por: Andre de Seixas  e André Martins – Grupo IRO-LOG Logistics & Trading

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).