Quantos centros de distribuição minha empresa deve ter?

centro de distribição - logísticaA pergunta do título deste artigo é bem simples: quantos centros de distribuição devemos ter? Esta é uma pergunta bastante comum em qualquer empresa que ofereça produtos ao mercado. Existem alguns métodos matemáticos capazes de responder a esta pergunta, mas poucos são capazes de levar em consideração os diversos aspectos que são influenciados por esta decisão.

Neste artigo vamos fazer uma análise completa dos problemas relacionados à decisão do número de centros de distribuição (CD):

1)      Qual a missão do CD?

2)      Qual o design do CD?

3)      Qual a localização do CD?

4)      Qual a utilidade operacional do CD?

O primeiro problema diz respeito à, por exemplo, quais produtos deverão ser estocados em cada CD, e qual a relação deste depósito nas estratégias da empresa (estratégias como nível de serviço, quantidade de estoques e formas de transporte).

O problema 2 tem a ver com a questão da propriedade: este CD deve ser próprio? Alugado? Financiado? Que tipo de automação será usada, robôs e máquinas distribuindo, coletando, guardando, ou com o uso de pessoas e veículos menos automatizados? Qual deverá ser o tamanho desta instalação?

O terceiro problema é um problema clássico de localização: queremos ficar mais próximos dos clientes ou dos fornecedores? Equilibrando os custos de transporte, onde fica mais barato? Outras questões devem ser levadas em consideração: qualificação da mão de obra naquela região, questões fiscais e até mesmo algo menos tangível, como presença no mercado.

Finalmente, a questão 4 vai fazer a atribuição dos clientes aos respectivos CDs: qual CD atenderá quais grupos de clientes? Quais distribuidores farão entregas diretas aos clientes, e quais distribuidores entregarão à quais CDs.

Assim, a resposta da pergunta do título deve passar pela análise destes quatro elementos, para que os custos totais sejam minimizados (veja artigo sobre Pesquisa Operacional para questões de minimização e otimização). Estes custos incluem: fabricação e fornecimento, transporte, armazenagem e estocagem, dentre outros.

Uma análise completa destes fatores dará mais segurança na hora de responder à pergunta principal, mas será muito útil em outras oportunidades: uma análise de cenários ficará muito simplificada se diversos dos elementos anteriores já tiverem sido discutidos.

Mudanças em questões ambientais (e não só do meio-ambiente, mas do ambiente de concorrência, de fornecimento, de consumo, de legislação, etc) exigem análises de cenários bem estruturadas, pois o redirecionamento do fornecimento e da distribuição para a demanda pode ser crucial na matriz de custos da empresa.

Outras mudanças dizem respeito àquelas que a empresa tem poder de controle, como aumento da capacidade ou relocalização das instalações. Da mesma forma, com um estudo prévio em mãos o decisor terá maiores chances de escolher a melhor opção.

Como sempre na logística, as decisões nunca são fáceis e nunca devem ser tomadas sem uma análise minuciosa das diversas dependências entre as áreas. Com as idéias deste artigo em mente, responda: quantos centros de distribuição você deve ter?

Mais detalhes sobre este assunto podem ser encontrados no artigo
FACILITY LOCATION ANALYSIS IS JUST THE BEGINNING (IF YOU DO IT RIGHT), de Geoffrion e Powers.
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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá. Conheça mais no menu Sobre (acima).