inflação

Crescer com segurança

Crescer com segurança

 

brasil crescer logística - investimentos e economiaSe os números do governo estiverem corretos, o Brasil registrou em 2010 um crescimento econômico da ordem de 8%, inferior apenas ao da China. Aparentemente, esse é um fato a ser comemorado. Mas, analisando tudo friamente, a comemoração deve ser feita com reservas. Afinal, para crescer a 8% ao ano, o País deveria ter se preparado mais porque qualquer analista mais isento sabe que, a continuar nesse ritmo, não é só o fantasma da inflação que pode ressurgir, mas a questão do apagão logístico.

Ninguém quer ver o País a vegetar em crescimento zero, mas quem conhece de economia sabe que esse crescimento deve ser sustentável, ou seja, para crescer sem sobressaltos e abalos, o Brasil precisaria dispor de uma infraestrutura menos atrasada, com investimentos mais bem direcionados. E não com a perspectiva de projetos megalomaníacos, como a construção do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo, que só servirá a passageiros, ou a promoção de eventos mundiais, como a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e a Olimpíada de 2016, que trazem muita visibilidade para o País, mas que, se não tiverem um acompanhamento seguro, também podem levá-lo à bancarrota. Mirem-se no exemplo da Grécia, que promoveu a Olimpíada de 2004.

Brasil oferece os maiores juros reais do mundo

juros SELICNão só questões infraestruturais e logísticas limitam o desenvolvimento no Brasil. Nesta quarta-feira o Banco Central aumentou os juros básicos em 0,75 pontos, levando o Brasil novamente ao lugar mais alto no ranking de juros reais. Este é um primeiro lugar que não devemos nos orgulhar, pois juros altos limitam o consumo, o crescimento e os investimentos.

O aumento na taxa vem depois de 19 meses de quedas e estabilidade (desta vez subiu de 8,75% para 9,5%). A mudança motivou reações de diversos setores. A FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgou nota em que critica o aumento dizendo que o Banco Central é refém de certos setores, e sua “competência e autonomia” podem ser questionadas. Paulo Skaf, presidente da entidade, disse que “não há necessidade de subir a taxa de juros, pois existe capacidade instalada na indústria para atender à demanda sem que aconteça pressão sobre os preço”. A nota continua dizendo que “a produção, o crescimento e o emprego, mais uma vez, são os perdedores”.