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A logística e a recessão

De acordo com a divulgação dos números do terceiro trimestre de 2016 sobre a economia, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país ainda vive um momento crítico de queda e de falta de confiança no mercado. A questão do “vamos superar a crise com trabalho” chega a seu momento mais difícil em que se provou que só o trabalho não resolve, principalmente quem não pode contar com ele. É hora também de analisar a situação para que saibamos como trabalhar, consumir e poupar. Essa história de fechar os olhos para a crise e trabalhar soa mais como uma tentativa desesperada do que uma habilidade para superá-la por meio do conhecimento e do planejamento.

logisticaAqui serão citados apenas alguns números para contextualização. Embora não sejam tão impactantes se analisados separadamente, eles revelam que, do contrário que muitos pensavam, ainda não desaceleramos a queda que se configura num aumento da confiança na economia nos afastando da recessão, pois todos os segmentos econômicos estão no vermelho e vários pioraram.

O que deve ser levado em conta aqui é que a queda do indicador do Produto Interno Bruto (PIB) dava sinais de desaceleração do segundo trimestre de 2015 (-2.3%) até o segundo trimestre de 2016 (-0.4%), e agora no terceiro trimestre de 2016 recua 0.8% com um acúmulo de queda de 4.4% em doze meses. É a sétima queda consecutiva e a décima no acumulado. O PIB per capta, que é a divisão do PIB pela quantidade de pessoas, é de -5.2%, o que significa que uma população que precisa consumir não o pôde fazer porque está mais pobre e mais endividada.

Se por um lado temos o chamado “ciclo vicioso da recessão”, que é quando há o desemprego e a queda da renda, as vendas despencam e as indústrias sofrem com isso demitindo mais trabalhadores, temos uma alta taxa básica de juros (13.75%) que faz com que investidores optem em ganhar junto aos bancos ao invés de investir diretamente na economia. Afinal, somos um país cauteloso e conservador na hora de correr riscos no mercado financeiro.

E aí você pergunta: “Ué, e o que isso tem a ver com a Logística?” Tudo. Como já dito várias vezes, a logística é a área que mais sofre com os impactos políticos e econômicos. O setor é o “medidor de temperatura” que sofre várias alterações na evolução da crise porque é o apoio presente em todos os segmentos do mercado. E, como os serviços caíram 0.6%, com destaque justamente para os transportes e o comércio que acumularam as maiores quedas, não fica difícil entender que as demissões estão ainda mais suscetíveis, os recursos mais escassos e os investimentos parados. Porém, como já dito também, nada que aterrorize os profissionais dessa área já tão habituada a lidar com dificuldades extremas. A questão fica concentrada mesmo em como e quando vamos superar tudo isso.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também divulgou que a taxa de ocupação, que é o que a indústria está utilizando de sua capacidade instalada no país, também piorou e hoje representa 65%. O que quer dizer que há a necessidade de recuperar o setor industrial, que caiu 1.3%, e até que isso aconteça também não receberá novos investimentos. Isso é terrível para a Logística.

Mesmo não gostando de tais comparações, pois há mecanismos diferentes entre Brasil e Estados Unidos, os brasileiros ouvem a todo o momento que o trabalho é a saída para superar a crise. Ora, os americanos têm jornadas de trabalho bem semelhantes às nossas e suas taxas de juros básicos oscilam entre 0% e 0.5% com inflação que gira em torno de 1% contra a nossa de 10.6%. Antes que se possa pensar que não adianta trabalhar, pelo contrário, o trabalho é extremamente necessário, o que vem em questão é que só o trabalho não resolve. Sem dúvidas estamos caminhando carregando algo errado e pesado nas costas que pode ser, por exemplo, nossa política econômica e sua forma de controlar inflação com juros altos permitindo que algumas instituições pratiquem juros que beiram os 400%.

Especialistas que previam uma estagnação da economia para 2017 agora já se permitem pensar em outra retração de até 1.5%. Aí o país necessitará de muito “oxigênio” devido o longo período de amarga recessão. Indiferentes a isso, nossa classe política, preocupada com seu próprio umbigo, ativa em suas prerrogativas e inerte em seus deveres, consome seu tempo em disputas de poder sem perceber que precisa agir para ter onde exercer o poder pelo qual tanto ambicionam.

Enquanto isso, trabalharemos porque esse é nosso instinto e nossa forma de contribuir com o desenvolvimento do país, mas àqueles que cabem as mudanças, é importante que saibam que está passando da hora…

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Logística Transportes

Logística do Papai Noel conectado

O bom velhinho, com seu saco vermelho de presentes, faz uma logística árdua para entregar todas as suas encomendas na virada do dia 24 para o dia 25 de dezembro.

papai-noel-onlineMas, no passado, esse trabalho era bem mais desgastante… Em meados de novembro era a hora de começar a fazer a lista de presentes das famílias que ele iria visitar.

Com a lista em mãos, hora do Papai Noel “bater perna”. Eram dezenas de lojas para visitar no centro da cidade e nos bairros em busca do melhor custo-benefício.

Quantas e quantas lojas o Papai Noel não entrava apenas para “dar uma olhadinha”… Haja perna para tudo isso!

Para facilitar a logística do Papai Noel, as lojas faziam (ainda fazem?!) horários especiais na véspera do Natal. Então o bom velhinho ficava até tarde da noite rodando para encher seu saco vermelho…

Passados alguns anos, o Papei Noel migrou para o conforto do shopping. Nada de sofrer para estacionar seu trenó ou ficar todo suado naquela roupa quente.

Afinal de contas, os preços do shopping já não eram assim tão mais caros do que no centro da cidade. E fazer compras no ar-condicionado é um grande diferencial para quem tem um saco tão grande de presente para encher!

PAPAI NOEL CONECTADO

Mas daí apareceu um tal de e-commerce e o agora o Papai Noel só precisa mesmo sair de casa na noite do dia 24.

É só dar um “Google” no presente para encontrar o melhor custo-benefício, com todas as especificações e comentários de quem já adquiriu o produto anteriormente.

Não tem fila no caixa, não é necessário aguardar uma atendente para cadastrar seu pedido e o Papai Noel não precisa ficar irritado com tantos outros bons velhinhos fazendo compra ao mesmo tempo que ele.

Acontece que, para o Papai Noel conseguir entregar seus presentes no dia 24/12, ele não pode esperar meados de novembro para começar as compras. Tem o tal do tempo de entrega…

Muitas vezes ele é pequeno, principalmente se a casa onde o Papai Noel vai deixar seu saco vermelho estocado estiver localizada em grandes centros urbanos.

Mas Papai Noel já aprendeu que os produtos do AliExpress possuem um custo benefício muito bom, mesmo que o tempo de entrega seja entre 2 e 3 meses.

Então o Papai Noel conectado tem um trabalho mais confortável, mas precisa adequar sua logística para garantir que todas as encomendas estejam no saco vermelho no dia 24 de dezembro.

MAS O BOM VELHINHO TAMBÉM NEGOCIA DATAS

Papai Noel estava se acostumando com sua nova logística até que apareceu o Black-Friday.

Então ele fica naquela dúvida se espera chegar o dia (que seria uma semana, ou um mês?!) para garantir descontos, mesmo correndo o risco de perder seu prazo.

Isso sem contar a pesquisa que ele tem que fazer nos preços em outubro, para ter certeza de que não os descontos oferecidos não se tratam apenas de propagandas enganosas.

E, na maior parte dos casos, Papai Noel sai satisfeito com os resultados! Não era lá aquele descontão prometido, mas a economia realizada permitiu um presente adicional no saco vermelho!

E que sorte tem esse Papai Noel! Caso a logística não seja eficiente suficiente para garantir a entrega dos produtos comprados na Black-Friday, seus clientes são bonzinhos e aceitam uma cartinha mostrando que a encomenda foi feita e está a caminho!

E assim a logística de e-commerce tem descomplicado muitas profissões, inclusive a do Papai Noel!

E o portal Logística Descomplicada aproveita para desejar um excelente Natal a todos aqueles que, uma vez por ano, assumem a função do Papai Noel em suas casas!

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Logística

Um papo sobre logística

Pode parecer bobagem, mas nada incomoda mais do que alguém dizer que logística é só transporte. Tenho certeza de que muitos profissionais já experimentaram de perto aquele desinteresse ou mesmo o desdém dos ignorantes que preenchem os mercados com suas visões embaçadas e com suas opiniões parciais. E não incomoda o fato de não saberem sobre a Logística, afinal muitos profissionais também não conhecem muito sobre essa recente maravilha, mas é por sentir de perto aquilo que os governos fazem quando “planejam” seus orçamentos e desprezam um setor que é o caminho do emprego e da sustentabilidade.

logisticaPapeis como o que desempenhamos aqui no Logística Descomplicada ajudam muito a desconstruir a falta de importância sentida pelos profissionais da área, já que os desafios são reais, e tentam deixar outros setores mais próximos do verdadeiro significado da Logística através do conhecimento. Quando se lê algumas linhas, muitos não imaginam, nem de longe, quantas horas de pesquisa e de construção empírica foram dedicadas para lhes levar informação segura e isenta para que você possa construir sua opinião e encarar o mercado de uma forma mais clarificada.

Claro que hoje tudo é motivo para desconfiança. São muitas as informações que se desenham fantasiosas ou estrategicamente direcionadas para o alcance de um ideal ou meramente para “encher linguiça”. A Logística, por ser relativamente recente ante outras profissões, está repleta de informações que nos faz pensar que é um paraíso, ou por outro lado que é extremamente desanimadora, nos fazendo duvidar de tantos absurdos. Eu mesmo sempre duvidei do caos rodoviário logo que me encantei pela Logística, até conhecer de perto esse modal anos depois. Os apertos que passei em minhas jornadas para garantir uma pesquisa mercadológica sincera foram clarificadores, mas não desanimadores, pois eu já estava fisgado e com o pleno conhecimento do quão importante era a Logística.

Embora saibamos que as empresas olham melhor para aqueles setores que lhes proporcionam receita direta, também sabemos que o ambiente externo, ou seja, nossa falta de infraestrutura, não possibilita soluções mais impactantes na redução dos custos, outra menina-dos-olhos dos empresários, e assim enxergam a Logística como o sol quente do deserto pelo qual eles têm que caminhar. Porém, a visão está equivocada, pois a Logística não deve ser representada pelo “sol quente”, mas pela oportunidade de poder atravessar o deserto, e não apenas com o objeto do transporte, mas com um diversificado pacote de soluções.

E a Logística vem sendo, dessas e de outras formas, mal interpretada no mundo empresarial: ela vale o que pode dar de lucro ou o que pode reduzir nos custos, e nunca o que pode proporcionar num contexto empresarial e ambiental. Por isso é chato quando você propõe soluções logísticas que envolvem processos e pessoas para alguém que pensa que a Logística se resume em transportes. É como ouvir desse alguém que uma unha é mais importante do que um útero.

Está claro que temos um longo caminho pela frente. Mudar tais conceitos demanda tempo, mas esse tempo não pode ser esperado como algo que passe por si só, ele deve ser um tempo com dedicação e empenho daqueles que acreditam que tudo pode ser diferente, que todos os profissionais mereçam ser respeitados e valorizados e que a Logística seja enxergada como um pacote de soluções que vai além do que conhecemos hoje.

É para isso que trabalha o Logística Descomplicada: um instrumento sério, cujas informações contribuem para a construção do real entendimento e importância da Logística, para lhe ajudar em seu caminho profissional através da exploração de conteúdo para trabalhos acadêmicos, escolhas profissionais, meios e soluções para o mercado, na construção de um profissional voltado à excelência e de um cidadão mais consciente de seu papel na sociedade.

Precisamos de sua ajuda para continuarmos oferecendo qualidade na informação com a qual tudo podemos transformar. Opine, participe das discussões, sugira temas, seja um patrocinador ou doador. Tudo isso é feito para e por você.

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Logística

Porque a internet tem mudado os profissionais de logística

Que a internet veio para ficar, disso ninguém duvida! Já vencemos a era digital e estamos vivenciando atualmente a era pós-digital.

Para os amantes de logística, isso significa a consolidação do modal infoviário, que vem sendo considerado o 6º modal de transporte.

internet-logisticaA infraestrutura primordial desse modal é a própria internet. E os equipamentos de transporte, isso é, por onde as mercadorias (ou informações) transitam são os sites, aplicativos, redes sociais, softwares e por aí vai…

O modal infoviário mudou muita logística por aí!! Quer ver alguns exemplos?

DESCOMPLICANDO A LOGÍSTICA DE DOCUMENTOS

No passado, quando alguém te pedia cópia dos seus documentos, você precisava levá-los até um local que tirasse uma cópia para você e entregar em mãos ou colocar no correio.

Hoje, basta fazer um scan na sua impressora ou, mais fácil ainda, tirar uma foto do seu celular e enviar para quem te pediu.

Esse envio pode ser feito por email ou dentro de próprios formulários on line disponibilizado pelas empresas que já organizam toda a documentação.

Você não acha que eles irão imprimir e guardar pilhas e pilhas de papel, não é mesmo?

DESCOMPLICANDO A LOGÍSTICA BANCÁRIA

Antes, para pagar uma conta, era preciso esperar o boleto chegar na sua casa, se dirigir até o banco, pegar filas intermináveis para então pagar sua conta.

Atualmente, você acessa sua conta por aplicativos ou com seu login no site dos fornecedores, gera o código de barras e paga pelo internet banking. Isso se você já não colocou em débito automático e nem se preocupa mais com essa atividade…

DESCOMPLICANDO A LOGÍSTICA DOS FORNECEDORES

Há alguns anos seu fornecedor te levava um mostruário gigante dos produtos que ele tinha para você escolher.

Hoje, seu fornecedor tem um site que te mostra todas as opções.

Na verdade se ele não tem um site, há grandes chances de ele sequer continuar sendo seu fornecedor, pois você não tem mais tempo (nem paciência) para ficar olhando mostruários físicos… E na internet você vai encontrar rapidamente todos os concorrentes dele…

DESCOMPLICANDO (OU COMPLICANDO?) A LOGÍSTICA DE BENS DE CONSUMO

Observando o movimento na ótica de um varejista…

No passado, o varejista produzia ou comprava seus bens de consumo, colocava-os na prateleira de sua loja física e esperava os consumidores irem até lá e comprar esses produtos.

Se eram produtos de baixo volume, os próprios consumidores transportavam-nos até suas casas. Se eram produtos maiores, o varejista usava seu caminhão ou uma transportadora para levar esses produtos até a casa do consumidor.

Hoje o novo varejista primeiro monta uma loja virtual. Coloca todos seus bens de consumo a venda na internet. O consumir acessa o site e faz a compra.

Em seguida o varejista vai se preocupar em produzir ou em comprar esse produto que ele vendeu (sim, estou sendo extremista e considerando que essa logística é fácil… Não são todos os produtos que isso se aplica, mas eu conheço várias pessoas que inverteram a ordem produção x venda usando o modal infoviário).

E então o varejista coloca esse produto no correio, fazendo-o chegar até a casa do consumidor.

Nasce aqui um novo profissional de logística: aquele que sabe fazer boas operações da logística de e-commerce.

Porque a dinâmica é diferente, os times envolvidos são distintos mas os conceitos logísticos envolvidos continuam sendo aplicáveis.

Você, como profissional, já está capacitado para a logística da era pós-digital?

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3 segredos que descomplicam a logística dos produtos agrícolas

Sazonalidade, grandes distâncias e baixo valor agregado podem parecer grandes desafios para profissionais que trabalham com a logística de produtos agrícolas. E de fato são!

logistica-agricolaMas depois de alguns anos no ramo você se acostuma com a repetição sistemática desses fatores e acaba encontrando maneiras de driblar esses desafios.

O Brasil exporta anualmente mais de 100 milhões de toneladas de commodities, que percorrem em média 1.500 km para sair das fazendas e chegar até o porto.

Esse escoamento é concentrado no período pós-colheita, aproveitando também as janelas internacionais de exportação.

SEGREDO 1: VENCENDO A SAZONALIDADE

Lidar com produtos agrícolas é o mesmo que lidar com sazonalidade. Embora você tenha que ter equipamentos para realização de atividades logísticas durante todo o ano, você só irá utilizá-los por alguns meses de safra.

Se você de fato é proprietário desses equipamentos (máquinas agrícolas, tratores, caminhões, etc) estude maneiras de fazer bom uso deles fora do período de safra.

Uma dica é adaptar todo o maquinário para a rotação de cultura da própria fazenda. O mesmo caminhão que transporte a soja no primeiro semestre pode transportar o milho no segundo semestre.

Outra dica é alugar esses equipamentos para outros interessados durante o momento que não estão sendo utilizados.

É uma forma de monetizar um capital investido que está te gerando depreciação o ano todo, mesmo que você só o utilize alguns meses.

SEGREDO 2: VENCER AS GRANDES DISTÂNCIAS

Não se acomode com o fato de, nos últimos 10 anos, você exportar sua soja pelo porto de Paranaguá.

A infraestrutura para exportação de commodities agrícolas tem mudado bastante nos últimos anos, com abertura de novos corredores de exportação bem como novos players atuando no mercado.

Se você não tem volume suficiente para baixar os custos de transporte através de uma alternativa intermodal, você pode estudar a possibilidade de vender a soja para uma trading que irá potencializar essa logística.

Mas tome cuidado! Para usar ferrovias e hidrovias, volume é um fator essencial na negociação. Não deixe que todo o ganho logístico fique na mão da trading…

SEGREDO 3: ESTUDANDO MERCADOS FUTUROS

Eu sei… plantar e colher não é uma atividade fácil. Fazer toda a logística da commodity, menos ainda.

Mas todos sabemos que, devido ao baixo valor agregado das commodities, o impacto do custo da logística no preço final do produto pode alcançar mais de 30%.

Então vale a pena ter boas habilidades de negociação, certo?!

Proteger-se das oscilações de preços fazendo negociação no mercado futuro, além de minimizar riscos, é também uma forma de enxergar oportunidades.

Não precisa ser um grande player para fazer isso… Basta ser um grande aprendedor e entender a dinâmica do mercado.

Não acho que esses segredos sejam fáceis de serem aplicados – mas também não é tão complicado assim.

Se você já aplica algumas dessas dicas, compartilhe conosco aqui nos comentários! Você pode ajudar outros profissionais da área a traçar estratégias e descomplicarem suas logísticas!

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Colocando navios na água! (vídeo)

Como os navios são colocados dentro d’água? Evidentemente eles têm de ser construídos em locais secos, e depois transportados para dentro d’água, a partir do estaleiro. Alguns fazem isso com o navio “dando marcha à ré”, mas esta forma de entrada na água, de lado, é muito mais impressionante. Assim é o início da logística das viagens de alguns navios.

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A falência da infraestrutura rodoviária (parte 1/2)

Mesmo nos sentindo desconfortáveis em assumir que somos dependentes do sistema rodoviário, é inegável que precisamos dele para continuar com nossas inúmeras e sofridas tentativas de consolidar nossa economia num ambiente altamente desfavorável. E como lidamos com isso? Ora, se prestarmos bem atenção, veremos que nossas dificuldades e nosso desenvolvimento econômico se atrelam de forma bem expressiva a um sistema “inexpressivo”, do ponto de vista do avanço. É como querer colocar cinco litros de água num vasilhame de um litro.

infraestrutura-rodoviariaSomos um dos países que mais dependem de rodovias para o escoamento da produção e para o transporte de bens em geral, e não acredito nas estimativas divulgadas com frequência de que 60% dos nossos produtos seriam transportados no modal rodoviário. Esse percentual é bem maior. Temos no Brasil um mapa fluvial que causa inveja em muitos países, assim como nossa localização geográfica que favorece o transporte marítimo, uma longa extensão para diminuir custos com transporte ferroviário, entretanto, somos reféns de um modal poluidor, perigoso, caro, insuficiente e caótico, que não só nos tira competitividade como a vida de muitos brasileiros e que, mesmo assim, não recebe investimentos como deveria.

Está quentinha a 20ª edição da pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre as rodovias brasileiras. Constitui um mapeamento muito interessante de 103.259 km, 48,8% do total de rodovias asfaltadas. Atualmente são 1.720.756 km de rodovias, mas apenas 12,3% ou 211.468 km são asfaltados. Chama atenção para o aumento dos custos de transportes, o avanço quase inexistente quando comparado com 2015 e para a comparação com as gestões privadas e públicas. O fato mesmo é que os números são alarmantes e nos dão a sensação de que estamos parados no tempo, sem um alento que nos mostre um sinal de melhoria realmente significativa diante das necessidades do mercado.

Realizada em pouco menos da metade das rodovias asfaltadas no país, contemplando a totalidade das BR´s e as principais vias estaduais, a pesquisa aponta que 58,2% dos trechos do estudo apresentam algum tipo de problema da ordem de qualidade do pavimento, da sinalização ou da geometria da via: metade do pavimento é regular, ruim ou péssimo; metade é mal sinalizada e 78% têm falhas geométricas. Devido à falta de manutenção preventiva e corretiva, do ano passado para cá, houve um aumento de 26,6% no número de pontos críticos (apenas os considerados graves). Isso representa um aumento médio de 25% nos custos operacionais do transporte, só devido aos buracos no pavimento, que nos piores trechos pode chegar a 91%, mas não há um custo estimado para cada situação das rodovias, pois há outros problemas em pontes, com erosões e da ordem de segurança das vias que são incomensuráveis.

O que o país investiu em 2015 nas rodovias brasileiras, gastou o dobro com acidentes nas rodovias federais, ou seja, investiu R$ 5,9 bilhões e gastou mais de R$ 11 bilhões com acidentes. O estudo não levantou os acidentes em vias estaduais. Se para adequar a malha rodoviária brasileira construindo ou duplicando trechos, restaurando e corrigindo problemas críticos deveriam ser investidos R$ 292,5 bilhões, estamos bem longe do ideal comparando com o que foi investido em 2015. Os números de 2016 estão bem semelhantes. Como se não bastasse investir apenas 2% do que realmente seria necessário, ano após ano o investimento diminui. Projetou-se um valor, mas o que realmente foi pago mostra uma queda preocupante: 2011- R$ 11,2 bi; 2012- R$ 9,3 bi; 2013- R$ 8,3 bi; 2014- R$ 9 bi (ano da Copa); 2015- R$ 5,9 bi. E nem precisa dizer como os pontos críticos tomam caminho inverso, aumentando a cada novo estudo…

Para o bolso do usuário, a realidade vem cobrando seus custos. Devido às condições das vias, o estudo estima que as transportadoras gastem R$ 2,3 bilhões a mais. Considera também que com a queima de mais 700 milhões de litros de diesel além do necessário, devido frenagens e acelerações, o Planeta receberá mais 2,07 megatoneladas de CO2.

Sei que o leitor deve ficar meio “baratinado” com tantos números reais, assustadores e preocupantes, mas nesse momento passa um filme em minha cabeça, redesenhando tudo o que constatei em milhares de quilômetros que percorri em muitos dos trechos incluídos no estudo. Sei que parecem números chocantes para quem não está muito habituado e que, por estar tão envolvido em problemas gerados por eles, nem se dê conta do quanto isso é, infelizmente, verdadeiro. Por isso, continuaremos numa segunda parte. Até lá!

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Fabricando um avião

Já se perguntou como são fabricados os grandes aviões? Acompanhe diversas etapas de montagem do gigante Airbus A380.

Montagem, transporte, tudo em câmera acelerada. São apenas 3 min que valerão à pena!

Pra mim, a parte mais impressionante é a pintura… feita à mão. E pra você?

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Por que o comércio já tem produtos de Natal?

Com a passagem do Dia das Crianças, o próximo grande feriado festivo para o comércio é certamente o Natal. É um pouco cedo, pois faltam mais de 2 meses para que o bom velhinho venha nos entregar presentes, mas pode ser um bom negócio, tanto para os consumidores quanto para os lojistas.

natalGrande parte dos produtos de Natal sofrem do mesmo mal dos produtos perecíveis. E aqui não falo apenas de frutas, legumes e derivados de leite. São também perecíveis jornais, revistas, sangue e moda. Muitos produtos natalinos não tem nenhum valor passada a noite do dia 25. Quem vai comprar uma árvore de Natal no dia 26? Luzinhas piscantes? Decorações? E o que dizer dos brinquedos e presentes. Enquanto o preço deles certamente cai a partir do dia 26, as crianças querem seus presentes entregues na hora certa, afinal eles se comportaram o ano inteiro e o bom velhinho vai visitá-las.

Mas e a logística das vendas do Natal? As cadeias de suprimentos que alimentam as vendas natalinas tem situações críticas e específicas, como ocorre nas festas temáticas (dia dos namorados, dia dos pais, dia das mães, dia das crianças…).

1. Os produtos destas festas são altamente sazonais. Muitas lojas de departamento tem um espaço dedicado apenas para itens sazonais. Essas seções de itens sazonais tem um giro de produtos que segue o calendário das festas: Natal, ano novo, carnaval, etc. Ocorre que depois do dia das crianças, o próximo grande evento é realmente o Natal. Então, vale mais a pena colocar produtos natalinos agora, do que deixar as prateleiras vazias.

2. As lojas de departamento ajudam os consumidores a se prepararem para o Natal. As decorações, árvores, pisca-pisca, meias e bengalas são compradas e instaladas muitas semanas antes da chegada do papai Noel.

3. Como são produtos sazonais, muitos consumidores preferem comprar cedo, para não correr o risco que seu produto preferido acabe.

Para ajudar, no Brasil muitas pessoas começam a utilizar o 13o salário adiantado e fazem as compras aos poucos nos cartões de crédito, o que contribui para o mercado natalino antecipado.

Finalmente, vale lembrar que a logística não tem culpa pelas musiquinhas que as lojas insistem em tocar nessa época…

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Os maiores entraves da logística brasileira (parte 2/2)

Após falar sobre a falta de qualificação, vamos abordar um pouco sobre a falta de infraestrutura e os excessos da burocracia, considerados os três maiores obstáculos para o sucesso do nosso setor logístico, pensando na estreitíssima relação entre eles e na errada aceitação que nos remete a prejuízos, estresses e insatisfações que nos colocam numa linha de risco ao nos fazer acreditar que a correção de um só ponto resolve um todo:

problemas-logisticaDe que adiantaria a excelência profissional sem uma infraestrutura adequada ao porte econômico do Brasil? Uma boa infraestrutura utilizada por bons profissionais que a desenvolvem e trabalham para a atualização de forma sustentável para o melhor estado de competitividade é o que qualquer país almeja.

O governo de Michel Temer vem com algumas propostas que já pertenciam ao PIL (Programa de Investimentos em Logística) do governo de Dilma Rousseff que pretendia investir quase R$ 200 bi, mas caiu em descrédito após ser lançada uma segunda etapa sem a implantação de muito do que contemplava a primeira, batizado de “Crescer” pelo PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), deixa de ser algo exclusivo para o incremento do setor logístico já que contempla também privatizações ou concessões nas áreas de saneamento, distribuição de energia e exploração de minérios e loterias.

Na tentativa de viabilizar o Programa, o atual governo pretende arrecadar R$ 24 bi, só em 2017, e mudou algumas regras que tornam as negociações mais atraentes para os investidores. O tempo dirá se serão proveitosas para os usuários, pois tais mudanças influem em questões tarifárias, mas esse não é o principal ponto negativo, pois a atuação do Crescer parece bem modesta diante das necessidades do país além de estar estruturado em privatizações e concessões apenas.

Sendo o Programa anterior ambicioso demais ao ponto de sabermos que muito do “planejado” não seria alcançado, o atual precisará bem mais que isso para alavancar a Logística e com isso suprir expectativas para geração de emprego e de renda que a economia tanto precisa para superar este difícil período. Embora tenhamos que ver tudo com otimismo e, independentemente desse ou aquele governo, não temos muitas alternativas a não ser trabalhar e acreditar num Brasil diferente, mas só um bom planejamento nos entusiasmará e nos fará caminhar na direção certa. E, como já dito, só o tempo nos trará essa resposta e tomara que venha logo, mesmo com tantas contendas políticas que só prejudicam a todos.

Por último, vamos imaginar profissionais qualificados atuando numa logística com uma boa infraestrutura cercados por uma burocracia desproporcional e desinteressada com os fluxos dos processos e seus resultados. Difícil falar disso e não citar o transporte marítimo. Esse modal, sem dúvidas, é o que mais sofre com esses entraves criados para facilitar e fiscalizar, mas, na verdade, é um artifício arrecadador contumaz e um vergonhoso canal de propinas que faz absurdos parecerem normais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as empresas exportadoras percam cerca de R$ 4,3 bilhões ao ano devido à burocracia em portos. O valor da armazenagem pode aumentar até 150% e, acredite, às vezes é só a falta de um carimbo. No Brasil, são cerca de 24 horas remuneradas para cada processo (no México são apenas 3 horas), mas isso não vale para alimentos e bebidas que, dependendo da quantidade de carimbos esperam liberação por 20 ou até 40 dias, nem para alguns “canais vermelhos” que podem esperar e esperar…

Em 2015, o WEF (Fórum Econômico Mundial) pesquisou sobre facilidades para cumprir exigências regulatórias em 140 países, o Brasil ocupou a 139ª posição. Isso quer dizer que o consumidor final paga mais caro devido acréscimos de despesas administrativas, de armazenagens, transportes emergenciais e estoques redimensionados.

Engana-se quem pensa que esse entrave está presente apenas em portos. Os aeroportos também sofrem com isso e, muitas vezes, até chegam a superar absurdos praticados em portos. Na armazenagem, por exemplo, os custos podem sofrer aumentos de até 600%. O que dizer ainda quando a Receita Federal entra em greve? O que dizer do transporte rodoviário e seus postos de fiscalização com seus sistemas e atendimentos precários?

Sem querer minimizar a gravidade de tais entraves e sem querer desviar a atenção que o assunto exige… Haja nervos para trabalhar na Logística!…