Vacinas: produzindo mais, começando antes

produção de vacinasA temporada anual de gripe oferece algumas lições interessantes e várias observações para quem tem os olhos da gestão de operações. Dois grandes laboratórios se uniram para reduzir o lead time de produção das vacinas para a gripe, fato que ocorre todo ano no inverno do Hemisfério Norte. O Wall Street Journal (WSJ 8/out/2010) publicou que a Novartis se uniu ao Synthetic Genomics com o intuito de reduzir o tempo dedicado à pesquisa e produção das vacinas da gripe sazonal.

O processo tradicional leva em torno de 6 meses desde o momento em que a Organização Mundial de Saúde identifica o vírus mais ativo para o próximo inverno e o momento em que a vacina está disponível no mercado. Analistas afirmaram que a união das duas empresas pode reduzir drasticamente este tempo.

A ideia por trás da nova tecnologia é fazer um tipo de pré-processamento. A Novartis desenvolverá um banco de vírus sintéticos, prontos para entrar em produção assim que a Organização Mundial de Saúde identificar o vírus mais frequente. Em outras palavras, eles criarão vírus artificiais – muitos deles – na torcida para que um deles possa ser aquele que deve entrar em produção.

O que este tempo extra dará a eles? A maior vantagem parece ser a capacidade adicional. A conta é simples: se uma fábrica consegue produzir X doses por semana, então adicionar 4 semanas no planejamento significa 4X mais doses para aquela estação.

Também é importante identificar o que isso não lhes dá: eles ainda enfrentarão a incerteza na previsão da demanda e o tempo extra não pode ajudar neste sentido. No entanto, a capacidade extra diminui o custo de cada dose, o que faz a incerteza da previsão mais barata (mantido o preço de venda fixo, quanto menor o custo de produção menos custosa é a diferença entre a demanda e a oferta).

Percebeu como todo processo produtivo tem uma operação logística por trás?

Baseado no texto “Vaccines – producing more by starting sooner” de Gerard Cachon e Christian Terwiesch, publicado no blog Matching Supply with Demand. Tradução e adaptação feitas por Leandro Callegari Coelho e autorizadas pelos autores exclusivamente para o Logística Descomplicada.

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Leandro C. Coelho, Ph.D., é Professor de Logística e Gestão da Cadeia de Suprimentos na Université Laval, Québec, Canadá.

There are 3 comments for this article
  1. Marco Meda at 22:32

    Pois é meu amigo, estava curioso pra entender a relação das Vacinas com a Logística.

    Grande abraço,

    Meda

  2. ginalva at 19:56

    VERDADE!!! A LOGÍSTICA ESTÁ EM TUDO,ESPERO QUE O CUSTO CAIA PARA QUE TODOS TENHA ACESSO.COM PREVISAÕ OU SEM PREVISÃO.

  3. Diego at 12:23

    Muito boa, a matéria.

    Muito provavelmente terão, além da incerteza de previsão de demanda, um custo também de manutenção, que logo se reduzirá com uma maior escala de produção.

    Abraço!

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